No final do primeiro semestre de 2025, o Banco Santander Totta obteve um resultado líquido de 503,9 milhões de euros, que compara com 547,7 milhões no período homólogo. Isto é, registou uma queda anual de 8%.
O banco liderado por Pedro Castro e Almeida manteve elevados níveis de rentabilidade, com um ROTE de 32,9%.
O produto bancário ascendeu a 954,8 milhões de euros (o que traduz uma queda de 14,2% em termos homólogos), refletiu a dinâmica da margem financeira que caiu 19,3%, associada ao ciclo de taxas de juro do BCE, que foi parcialmente compensada pelo crescimento das comissões (+5,7%).
As comissões líquidas ascenderam a 245,6 milhões de euros (+5,7% face ao mesmo período de 2024), “beneficiando do crescimento da base de clientes, assim como da sua maior transacionalidade de clientes, com o consequente incremento das comissões de contas e meios de pagamentos”.
O crescimento da base de clientes foi de mais 60 mil clientes ativos e 78 mil clientes digitais, comparativamente com o final de junho de 2024, “o que se traduziu em mais de 1,2 milhões de operações de compras e pagamentos por dia”, sublinhou o CEO.
Os resultados em operações financeiras ascenderam a 13,0 milhões de euros (+1,9%).
O Santander Totta explica que “a margem financeira, no montante de 695,7 milhões de euros, continuou influenciada pelo ciclo de descida das taxas de juro executado pelo BCE: desde junho de 2024, a taxa de depósito foi reduzida por 8 vezes, a última das quais em junho de 2025, num total de 200 p.b., para 2,0%, dinâmica que foi transmitida à carteira de
crédito, ainda maioritariamente indexada a taxa variável”.
Os efeitos das taxas de juro foram compensados, em parte, pelo crescimento dos volumes de negócio, em especial do crédito.
“A contínua melhoria comercial e operacional que o banco tem vindo a executar contribuiu para o controlo da base de custos, que cresceu apenas 0,5% (num contexto de inflação ainda acima de 2%), permitindo manter elevados níveis de eficiência (27,1%)”, refere o banco.
Santander concedeu 473 milhões em crédito à habitação ao abrigo da garantia pública
Olhando para o balanço, o crédito total a clientes (bruto), no montante de 51,7 mil milhões de euros, registou um crescimento homólogo de 10,0%, “beneficiando dos sólidos volumes de novos créditos à habitação e a empresas”.
Pedro Castro e Almeida destacou que “crescemos no crédito — 10% — com contributos fortes na habitação e nas empresas, e reforçámos o nosso compromisso com a sustentabilidade das empresas, com 1,2 mil milhões de euros em financiamento sustentável.
A nova produção de crédito hipotecário mantém volumes elevados, com o Santander a representar cerca de um quinto das novas hipotecas produzidas ao longo dos primeiros cinco meses do ano. Em resultado, no final de junho, a carteira de crédito hipotecário ascendia a 24,1 mil milhões (+6,5%).
Ainda neste segmento, o Santander revelou que continuou a apoiar os agregados mais jovens através da disponibilização de crédito com garantia pública, tendo-lhe cabido um montante de 259 milhões de euros em garantias (refletindo a posição de destaque do Banco no mercado de crédito hipotecário).
Desde que a medida foi lançada, o banco teve mais de 9 mil pedidos de jovens no âmbito da garantia, tendo, até ao final de junho, já sido concedidos 473 milhões de euros em créditos.
O Santander recebeu das maior quota no montantes de garantia pública atribuídos a cada banco aderente.
Por outro lado, o crédito ao consumo também cresceu, igualmente de forma sustentada, ascendendo a 2,0 mil milhões de euros (+10,2% face ao período homólogo).
No segmento de crédito a empresas e institucionais, o banco manteve igualmente uma atividade de relevo, com a carteira a crescer 13,9%, face ao mesmo período de 2024, para 25,4 mil milhões de euros. O Santander Totta continua a mobilizar o seu balanço para apoiar os projetos das empresas nacionais, também alavancado nas linhas InvestEU do Banco Português de Fomento e nos protocolos com o BEI, em complementaridade às soluções de liquidez e de gestão de tesouraria, assim como do apoio ao negócio internacional.
Ainda no Balanço, os recursos de clientes ascenderam a 47,7 mil milhões de euros (+5,7% face ao final de junho de 2024), com crescimento de 5,1% em depósitos de clientes e de 8,8% em recursos fora de balanço.
Os depósitos somam 38.502 milhões de euros.
A qualidade da carteira de crédito permaneceu elevada, com uma redução do rácio de NPE para 1,5%com uma cobertura de 87,1% (e cobertura por imparidade específica de 60,5%).
“O rácio de Non-Performing Exposure (NPE), calculado de acordo com o critério EBA (em relação a exposições de balanço), reduziu-se em 0,1 p.p., para 1,5%”, diz a instituição.
Olhando para os rácios de solvabilidade e liquidez, verifica-se que o rácio CET1 (fully implemented) situou-se em 13,9% (-5,3 p.p. face a junho de 2024). Já o rácio LCR (Liquidity Coverage Ratio), calculado segundo as normas da CRD IV, situou-se em 137,9% cumprindo as exigências regulamentares em base fully implemented.
Em termos de MREL, no final de junho, o Santander em Portugal registava um rácio de 26,9%, acima do requisito (fully implemented) de 25,36% (incluindo o requisito combinado de fundos próprios (CBR), de 4,09% do TREA, a março de 2025), exigido para o corrente ano.
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