O mais recente ‘Global Risks Report’, do Fórum Económico Mundial, aponta que os líderes empresariais enfrentam riscos crescentes perante o aprofundamento das divisões geopolíticas, a par de crescentes desafios tecnológicos e sociais, que vão moldar o panorama empresarial dos próximos 12 meses. O estudo aponta, ainda, para o surgimento de uma nova era de concorrência global a longo prazo.
De acordo com o estudo, que concentra a visão de mais de 1.300 especialistas e 11 mil líderes empresariais sobre os principais riscos a curto, médio e longo prazo, embora o confronto geoeconómico, os conflitos armados interestatais, os eventos climáticos extremos, a polarização social e a desinformação e informação falsa tenham sido identificados pelos inquiridos como os cinco principais riscos imediatos em 2026, a desinformação e informação falsa e a polarização social subiram para o segundo e o terceiro lugares na perspetiva de dois anos”.
Sobre aquela que identifica como uma nova era de concorrência global, o documento do Fórum Económico Mundial, que tem a Marsh e Zurich como parceiros estratégicos, indica que todos os 33 riscos, excluindo o confronto geoeconómico, deverão aumentar em gravidade nos próximos 10 anos, de acordo com a opinião de vários líderes consultados (57% dos inquiridos preveem uma perspetiva turbulenta ou tempestuosa na próxima década. A perspetiva a 10 anos é fortemente dominada pelos riscos climáticos e tecnológicos).
A propósito da divulgação do ‘Global Risks Report 2026’, Andrew George, presidente da área de specialty, da Marsh Risk, sublinha que “o aprofundamento das divisões está no centro dos riscos sociais que todos enfrentamos atualmente, desde a fragmentação social e a desigualdade até ao declínio da saúde e do bem-estar”. “Apesar da crescente gravidade destes riscos globais, os principais governos estão a afastar-se de muitas estruturas estabelecidas, destinadas a enfrentar os nossos desafios comuns. Como resultado, as sociedades divididas estão a ser empurradas para o limiar da instabilidade social e do aumento dos conflitos”, explica o mesmo responsável.
Do lado da Zurich Insurance Group, Alison Martin, CEO de Vida, Saúde e Distribuição Bancária, nota que “os líderes empresariais das principais economias estão profundamente preocupados com as pensões e a saúde pública”.
“Estas lacunas ameaçam tanto o bem-estar da força de trabalho como a estabilidade social. No entanto, é surpreendente que os riscos sociais – como o declínio da saúde, a falta de infraestruturas públicas e de proteções sociais – mal sejam identificados nas perspetivas de risco para os próximos 10 anos, apesar de os seus efeitos já estarem a remodelar o nosso mundo. Se não agirmos com urgência e colaboração, corremos o risco de ignorar as ameaças que podem definir o nosso futuro”, alerta.
O estudo dá nota, ainda, do grande impacto que os avanços na inteligência artificial (IA) e na computação quântica terão nos mercados de trabalho, nas estruturas sociais, nas infraestruturas e na geopolítica, “podendo contribuir para o aumento das disparidades económicas globais”. Além disso, as “infraestruturas críticas, expostas a várias ameaças, desde o corte de cabos submarinos à interrupção de satélites, também exigirão investimentos substanciais para a sua modernização”.
Também a representar a Zurich, Peter Giger, diretor de risco do grupo segurador, explica que as “ameaças crescentes representadas por condições climáticas extremas, ciberataques e conflitos geopolíticos, as perturbações nas infraestruturas críticas ocuparam apenas o 23.º lugar entre os riscos globais para a próxima década. Trata-se de uma negligência perigosa. Desde redes elétricas sobrecarregadas por ondas de calor recorde até cidades costeiras em risco devido à subida do nível do mar, dependemos de sistemas que estão mal preparados e subfinanciados. Quando as infraestruturas falham, tudo o resto fica em risco. Temos de reconhecer como estas ameaças estão interligadas e investir agora para reforçar a resiliência, antes que a próxima crise aconteça”.
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