A Lusomorango – Organização de Produtores de Pequenos Frutos alerta para o impacto da depressão Kristin nas explorações agrícolas do concelho de Odemira, revelando que os cerca de 40 produtores associados, contabilizam prejuízos diretos provisórios já superiores a 10 milhões de euros.
A destruição de infraestruturas agrícolas, sistemas de rega e outros equipamentos essenciais à produção levou, para já, à perda entre 50% a 70% da capacidade produtiva dos produtores Lusomorango, adianta a organização em nota enviada à nossa redação.
Os dados são preliminares. Mas as previsões meteorológicas apontam para o agravamento do estado do tempo nos próximos dias, o que poderá aumentar significativamente os prejuízos e comprometer não apenas a campanha atual, mas também a produção futura.
“Perante este cenário devastador para a Lusomorango, para a fileira dos pequenos frutos e para o futuro agrícola de Odemira, a Organização de Produtores apela para que também esta região possa aceder ao conjunto de medidas anunciadas pelo Governo, para apoio às explorações agrícolas localizadas em territórios onde foi decretado o estado de calamidade. Sem esse enquadramento, muitas dezenas de explorações agrícolas e milhares de empregos poderão estar em causa, por estarem impedidos de aceder aos apoios extraordinários previstos para fazer face aos estragos provocados pela tempestade”, pode ler-se no documento.
Joel Vasconcelos, CEO da Lusomorango, expressa “total solidariedade com todas regiões afetadas”, mas considera fundamental que o Governo considere também “a gravidade da situação em Odemira e em outros territórios do país” e os inclua no perímetro de ajudas destinadas a responder aos efeitos da depressão Kristin. “Está em causa a capacidade produtiva imediata e futura de um setor estratégico para o país. A destruição de infraestruturas compromete colheitas, contratos de exportação e postos de trabalho”, afirma.
De acordo com um estudo da EY-Parthenon, o Perímetro de Rega do Mira gerou, em 2023, 502 milhões de euros de Valor Acrescentado Bruto, mais de 16 mil postos de trabalho e 134 milhões de euros em receita fiscal. Nesse bolo, a Lusomorango é responsável por 17% da produção nacional de pequenos frutos, com forte peso nas exportações e na coesão social e económica do território. Em 2024, esta fileira exportou 348 milhões de euros – com a Lusomorango a responder por praticamente um terço deste valor.
“O que está hoje em risco não é apenas uma campanha agrícola, mas a continuidade de uma atividade que assegura emprego, fixa população, produz alimentos e gera valor económico para o país”, sublinha Joel Vasconcelos. “Perante perdas já muito significativas e perspetivas meteorológicas adversas, fazemos um forte apelo para que o Governo reforce e alargue as medidas de apoio aos agricultores”.
A Lusomorango apela a uma “resposta rápida, eficaz e justa”, que “inclua todos os produtores afetados pela depressão Kristin nos mecanismos de apoio extraordinário”, assegurando “simplicidade administrativa e rapidez na execução”, de forma “a evitar danos irreversíveis na capacidade produtiva, no emprego e no contributo económico e social deste setor estratégico” para Portugal.
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