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Carney salienta que Banco de Inglaterra pode relançar programa para estimular concessão de crédito

No Fórum do Banco Central Europeu, Mark Carney defendeu ainda a importância de comunicar o ‘guidance’ para “gerir expectativas à medida que as circunstâncias mudam”.
Frank Augstein/Reuters
18 Junho 2019, 17h54

O Governador do Banco de Inglaterra, Mark Carney, não descartou a hipótese de voltar a emprestar aos bancos a taxas de juro baixa para facilitar a trasmissão da política monetária e estimular a economia caso seja necessário, através do relançamento do Term Funding Scheme (TFS).

“Quando as condições melhoraram o suficiente para garantir um aumento na taxa bancária para 0,5% em novembro de 2017, o TFS não era mais necessário e foi fechado para mais composições adicionais em fevereiro de 2018”, disse Mark Carney, no Policy Panel esta tarde, no Fórum do BCE que decorre até quarta-feira em Sintra.

“O Banco mantém a capacidade de relançar o programa conforme necessário e à luz disso, o MPC [Comité de Política Monetária] julga que o limite inferior efetivo para a taxa bancária está agora próximo, mas um pouco acima de 0%”.

No essencial, o TFS pretendeu reforçar o corte da taxa de juro bancária e foi uma das medidas incluídas no pacote abrangente de medidas de alívio anunciado pelo Comité de Política Monetária do Banco de Inglaterra, em agosto de 2016 e que terminou em fevereiro de 2018. Em troca dos empréstimos a um custo da taxa base e um fee, os bancos tinham de emprestar dinheiro à economia real, de forma a ajudar a transmissão da política monetária.

O TFS tinha por objetivo apoiar o crescimento económico e regressar à meta sustentável de inflação de 2%.  Em agosto de 2016, reforçou o corte da taxa de juro bancárias, permitindo que a redução de 0,5% para 0,25% tivesse o mesmo impacto que os cortes anteriores, quando as taxas estavam mais longe de zero.

Mark Carney sublinhou que, desde 2013, o MPC reconheceu que podem haver circunstâncias nas quais trazer a meta de inflação de volta demasiado rápido pode “provocar volatilidade indesejada nos resultados e no emprego”.

“Em circunstâncias excepcionais, como o Brexit, quando a economia se depara com uma profunda alteração estrutural, o MPC pode estender o horizonte no qual retorn a inflação à meta, vindo de um valor superior, de forma a equilibrar os efeitos [causados pela alteração da economia] no mercado de trabalho e na atividade produtiva”, disse Mark Carney.

O governador acrescentou ainda que, apesar de a política monetária não poder evitar o crescimento de salários reais mais fraco que irá acompanhar a transição para novos acordos comerciais com a União Europeia, pode influenciar de que forma é que pode influenciar a forma como influencia os salários é distribuído entre perdas de postos de trabalho e aumento de preços.

No entanto, deixou claro que “esta flexibilidade não pode ser utilizada de forma ilimitada” e que o Comité confia na economia britânica. “O MPC pode ser paciente”, afirmou.

“A experiência na zona euro e no Reino Unido demonstrou como o guidance pode ser efetivo em gerir expectativas à medida que as circunstâncias mudam”, acrescentou.

O governador do Banco de Inglaterra, que partilhou o painel com o presidente do BCE, Mario Draghi e com Stanley Fischer, antigo vice-presidente do Conselho de governadores da Reserva Federal norte-americana, acrescentou ainda que “as reformas durante a crise deixam para trás um mecanismo de apoio muito mais abrangente à disfunção nos mercados de financiamento. A liquidez está disponível de forma mais aberta, contra uma vasta gama de garantias e em todas as principais moedas”.


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