Ingrid, Joseph, Kristin, Leonardo e Marta. Foi um agressivo comboio de tempestades que se abateram sobre Portugal no início deste ano.
As regiões de Leiria e Coimbra destacaram-se pelos impactos mais severos nas suas famílias, empresas e infraestruturas.
Só na rede elétrica, seis mil km de rede elétrica (alta, média e baixa tensão) ficaram danificadas, assim como 5.800 postes de eletricidade.
O balanço foi feito esta quinta-feira pelo grupo EDP, o dono da E-Redes, que tem estado no terreno nas últimas semanas a recuperar a rede elétrica para levar eletricidade novamente para famílias e empresas.
A empresa disse hoje que a eletricidade já foi restabelecida praticamente junto de todos os clientes.
A companhia vai ter de investir 80 milhões para construir a rede danificada, que será parcialmente coberta por seguros.
Na chamada com analistas, a empresa destacou que contribuiu com 90 milhões de toneladas de material de construção (areia, telhas, lonas) para proteger casas e apoiar a recuperação.
Além disso, distribuiu também aparelhos Starlink que fornecem internet, assim como baterias e geradores de eletricidade para garantir comunicações e energia em áreas isoladas.
“Foram tempestades com ventos de 200 km/h. Respondemos com uma rede de grande apoio”, disse hoje o presidente da EDP Miguel Stilwell d’Andrade destacando que vieram profissionais de Espanha, Brasil e Irlanda para ajudar a restabelecer a eletricidade, com mais de 2.400 trabalhadores no terreno.
O gestor agradeceu o esforço de todas as equipas para ajudar a restaurar a normalidade junto das comunidades afetadas. “Compreendemos o dano que causou, a frustração. A nossa prioridade foi restabelecer” a eletricidade. “Restam poucas situações” de clientes afetados. “O pior já passou”.
“Quero deixar uma palavra de agradecimento às equipas internas e externas. A sua resposta foi absolutamente exemplar em termos de compromisso”, segundo Miguel Stilwell d’Andrade.
Câmara de Leiria critica atuação da E-Redes e exige compensações para os lesados
Mas a atuação da E-Redes mereceu fortes críticas da câmara municipal de Leiria pelo tempo que demorou a repor a rede elétrica no concelho após os temporais.
A 7 de fevereiro, ao fim de 11 dias da tempestade Kristin, a autarquia escreveu uma carta aberta endereçada ao presidente da E-Redes, José Ferrari Careto.
“Passaram já 11 dias desde o fenómeno meteorológico extremo que atingiu o concelho de Leiria e, à data de hoje, permanecem ainda mais de 20 mil contadores sem acesso a energia elétrica, sobretudo nas zonas mais rurais”, começa a missiva também assinada pelas juntas de freguesia do concelho.
“Falamos de famílias, de produtores agrícolas, de empresas locais, de lares, de pessoas isoladas e vulneráveis que continuam numa situação de grande fragilidade, muitas vezes sem qualquer informação clara sobre quando será reposta a normalidade”, pode-se ler.
Reconhecendo o “esforço técnico das equipas no terreno” e tendo “plena consciência da dimensão excecional dos danos causados”, os signatários dizem estar preocupados com a “ausência de informação clara, regular e territorializada”, mas também com a “insuficiência de medidas de mitigação que permitam minimizar o impacto prolongado da interrupção do fornecimento de energia elétrica”.
Sendo a E-Redes um operador de serviço público essencial, a carta defende que é indispensável:
– “A divulgação diária de informação pública, por freguesia, com indicação do número de contadores repostos e estimativas de normalização”;
– “A criação de um canal direto, permanente e operacional de comunicação com o Município e com as Juntas de Freguesia, que permita partilha de informação em tempo útil e resposta coordenada às situações mais críticas”;
– “A definição e comunicação clara de medidas de mitigação, nomeadamente a disponibilização de geradores ou outras soluções temporárias, priorizando as situações de maior vulnerabilidade”;
– “A presença regular de responsáveis da E-REDES no território, para esclarecimento público e articulação com os representantes locais”.
Os signatários escrevem que a “a falta de informação objetiva, atualizada e acessível, associada à inexistência de respostas visíveis de compensação em muitas situações, tem vindo a gerar ansiedade, indignação e um sentimento crescente de abandono”.
Além dos “prejuízos causados pela interrupção do fornecimento de energia elétrica, que originou perdas significativas junto de empresas e de particulares, impõe-se que os lesados sejam devidamente ressarcidos pelos danos sofridos, em moldes a clarificar pela entidade responsável, de forma justa, célere e transparente”.
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