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Ataque ucraniano a fábrica de microeletrónica em Bryansk pode afetar produção de mísseis russos

Um ataque ucraniano contra uma importante fábrica de microeletrónica na região russa de Bryansk poderá ter impacto na produção de mísseis e drones utilizados por Moscovo na guerra contra a Ucrânia, incluindo o Pantsir e o Iskander
Lucy Nicholson / Reuters
13 Março 2026, 15h04

A instalação atingida — conhecida como Silicon El ou Kremniy El — é considerada uma das principais fornecedoras de semicondutores e circuitos integrados para a indústria de defesa russa. O site miletarnyi diz que esta era responsável pela fabricação de 1000 a 1500 tipos de componentes eletrónicas.

Segundo a Reuters, autoridades ucranianas indicaram que o ataque foi realizado com mísseis de cruzeiro Storm Shadow e teve como alvo uma instalação ligada à produção de componentes eletrónicos utilizados em armamento avançado. A fábrica produz dispositivos essenciais para vários sistemas militares, incluindo mísseis guiados e equipamentos de comunicação.

De acordo com a Euronews, a unidade industrial atingida é um elemento central da cadeia de produção russa de armas de “alta precisão”. A Silicon El fabrica semicondutores e microchips que funcionam como o “cérebro” de sistemas de armas modernos, permitindo o controlo e a orientação de mísseis e drones utilizados no conflito.

“Entre os principais clientes da empresa está a corporação estatal russa NPO Almaz-Antey, responsável pelo desenvolvimento e produção de quase toda a gama de sistemas de defesa aérea. A empresa estatal Rocket Technologies também adquire seus produtos. Ela fabrica mísseis de cruzeiro, incluindo o Kh-59 e o Kh-69, bem como outras armas de mísseis, como o Kh-101 e o Kh-555, que a Federação Russa utiliza ativamente para bombardear o território ucraniano”, lê-se no miletarnyi.

Imagens de satélite analisadas por projetos de inteligência de fonte aberta indicam que vários mísseis atingiram edifícios de produção da fábrica, provocando danos significativos em oficinas industriais. Segundo analistas citados por meios de comunicação ucranianos, a reconstrução poderá exigir uma reestruturação quase completa de algumas áreas da instalação, o que pode manter parte da fábrica fora de funcionamento durante um longo período.

A produção de microeletrónica militar exige condições altamente controladas, incluindo ambientes com níveis mínimos de poeiras e temperatura estável. Qualquer dano estrutural pode comprometer linhas de produção inteiras, já que equipamentos sensíveis precisam de funcionar em ambientes extremamente limpos e estáveis.

Outro fator que pode dificultar uma recuperação rápida é a complexidade do equipamento industrial utilizado neste tipo de fábricas. Parte das máquinas é altamente especializada e difícil de substituir, sobretudo num contexto em que as sanções internacionais limitam o acesso da Rússia a tecnologia avançada e componentes industriais importados.

Segundo publicações especializadas em defesa, a fábrica fornece componentes para empresas estatais do setor militar russo, responsáveis pela produção de sistemas de defesa aérea e mísseis de cruzeiro utilizados nos ataques contra a Ucrânia. A interrupção da produção de microchips poderá, por isso, afetar temporariamente o ritmo de fabrico de alguns desses sistemas.

Moscovo, por seu lado, procurou minimizar o impacto do ataque. Autoridades russas acusaram a Ucrânia de realizar a operação com apoio de países ocidentais, argumentando que o uso de mísseis Storm Shadow — desenvolvidos em parceria pelo Reino Unido e pela França — indicaria envolvimento externo.

O ataque insere-se numa estratégia ucraniana mais ampla de atingir infraestruturas militares e industriais em território russo. Nos últimos meses, Kiev tem intensificado operações contra fábricas de armamento, depósitos logísticos e instalações energéticas, numa tentativa de enfraquecer a capacidade de produção e abastecimento que sustenta o esforço de guerra russo.

Embora ainda seja difícil avaliar o impacto total dos danos em Bryansk, analistas militares consideram que ataques a instalações industriais deste tipo refletem uma nova dimensão do conflito: para além das batalhas no terreno, a guerra estende-se cada vez mais à infraestrutura industrial que sustenta o desenvolvimento e produção de armamento.


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