O economista Paul Krugman acredita que o risco de estagflação nos Estados Unidos está a aumentar – o que coloca o Nobel da Economia de 2008 em divergência com o presidente do Reserva Federal (Fed) norte-americana, Jerome Powell, que disse na semana passada não ver evidências disso. O economista disse que vê fortes paralelos com os anos 1970, quando a inflação subiu e o crescimento desacelerou.
Após a última reunião do Comité Federal de Mercado, o líder cessante da Fed, que mantém um longo desaguisado com o presidente Donald Trump, disse que, embora o clima económico atual seja difícil, não o vê como comparável ao período dos anos 1970, uma década marcada por picos de inflação e fraco crescimento económico.
Krugman não tem a certeza disso e escreveu na passada quinta-feira que já deteta um alto risco de estagflação mesmo antes do início da guerra do Irão. À medida que as tensões geopolíticas continuam a gerar incerteza, Krugman acredita que os Estados Unidos têm mais motivos para preocupar-se. “Powell diz que os problemas económicos não são suficientemente graves para serem chamados de estagflação. Mas as coisas estão a parecer isso: ‘estagflacionárias’, escreveu.
A estagflação é frequentemente vista como o pior cenário possível para uma economia, dado que apresenta desafios para os legisladores que vão além de uma desaceleração económica. Desde logo, pode impedir que a Fed corte as taxas para estimular a economia por medo de que isso possa alimentar ainda mais a inflação. A tese de Krugman é semelhante à previsão de “estagflação leve” feita por vários analistas em setembro de 2025, que apontaram altos custos habitacionais e tarifas crescentes como potenciais fatores para a estagflação.
O economista reconheceu que, embora ainda não veja um período de estagflação completa, permanece a possibilidade de que as condições venham a piorar. Apesar das declarações de Donald Trump, o economista não acredita que o Estreito de Ormuz seja rapidamente reaberto, o que é o mesmo que dizer que, provavelmente, os voláteis mercados de petróleo não vão acalmar.
Nos Estados Unidos, a inflação continua a subir, ao mesmo tempo que os números do crescimento do emprego estão a perder velocidade. Krugman disse que, apesar das expectativas de que a inflação caísse, moveu-se na direção oposta, como está evidenciado pelos indicadores mais atuais do Índice de Preços no Produtor.
“Há um paralelo desconfortável atual com 1973, o ano em que a estagflação geralmente é considerada como tendo começado”, disse. “Não sei quantas pessoas sabem que uma das razões pelas quais o choque do petróleo de 1973 foi tão forte foi que a inflação já estava a subir rapidamente mesmo antes da Guerra do Yom Kippur levou ao embargo árabe do petróleo, que desencadeou a primeira crise petrolífera.”
Krugman acrescentou que, embora os números daquela época fossem piores que os atuais, há semelhanças suficientes para preocupação. “Se se restringir o termo estagflação a situações que se assemelham quantitativamente aos anos 1970, ainda não chegámos lá. Mas definitivamente há um cheiro de estagflação no ar”, concluiu.
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