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Páscoa volta a colocar pressão no cabaz alimentar dos portugueses

Prevê-se que a Páscoa de 2026 apresente custos de matérias-primas, em média, inferiores aos de 2025, com um alívio mais acentuado nos produtos derivados do cacau. Leia a análise da corretora XTB.
1 Abril 2026, 16h26

A aproximação da Páscoa volta a colocar pressão sobre um conjunto muito específico de matérias-primas que pesam no cabaz alimentar dos portugueses. Entre o chocolate, as amêndoas, os folares, o pão-de-ló e outras referências típicas da época, produtos como o cacau, o açúcar, a manteiga, o trigo
e os ovos ganham uma relevância acrescida nesta fase do ano.

Todos os anos, a questão prende-se com os custos: saber se o valor de produzir e adquirir estes artigos
pode sofrer alterações, dado que os consumidores têm enfrentado períodos de grande inflação nos
últimos cinco anos.

Após um ano de 2024 marcado por uma forte valorização nos preços do cacau e de outras matérias-
primas alimentares, este ano voltam a colocar-se as mesmas questões. Enquanto algumas matérias-
primas entraram em clara correção face ao ano passado, outras continuam a ser negociadas em níveis elevados, o que torna a leitura desta campanha menos linear do que poderia parecer à primeira vista.

O cacau assume-se como a matéria-prima de maior destaque no mercado de commodities:

• Após ter registado valorizações expressivas ao longo de 2024 — impulsionadas por quebras nas colheitas e pela consequente redução da oferta nos principais países produtores — o cenário inverteu-se em 2025.
• Este último ano foi marcado por correções acentuadas, na ordem dos 60%, à medida que os preços ajustaram o excesso de valorização acumulado face às preocupações do período anterior.
• Atualmente, em 2026, a tendência de queda mantém-se: o desempenho do cacau nas bolsas continua a ser fustigado por fortes desvalorizações, acumulando uma perda de aproximadamente 45% YTD (Year-to-Date).

Além do cacau, também os preços do açúcar e da manteiga na União Europeia corrigiram
significativamente face aos valores registados nos anos anteriores.

Em sentido contrário, apenas o trigo e os ovos se mantêm acima dos níveis registados há um ano; ainda assim, o preço do trigo continua a ser negociado em mínimos históricos.

Não se antecipam novas pressões inflacionistas nesta fase. A tendência das matérias-primas
associadas à produção de chocolate para este período não é linear: embora o preço do cacau tenha
sofrido uma desvalorização acentuada, outras matérias-primas mantiveram-se estáveis ou registaram
ligeiras subidas. Adicionalmente, a instabilidade no Médio Oriente – que tem impulsionado os custos
energéticos – ainda não deverá repercutir-se nos preços finais ao consumidor.

Em suma, prevê-se que a Páscoa de 2026 apresente custos de matérias-primas, em média, inferiores aos de 2025, com um alívio mais acentuado nos produtos derivados do cacau.

Contudo, esta redução dificilmente chegará ao consumidor final sob a forma de preços baixos, uma
vez que a elevada procura caraterística desta época deverá sustentar os valores de mercado nas
superfícies comerciais.


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