A Comissão Europeia tem até 13 de abril para divulgar a conclusão da investigação à empresa chinesa CRRC que faz parte do consórcio que venceu o concurso da linha Violeta do Metro de Lisboa.
A investigação visa apurar se a CRRC recebeu subsídios do Governo chinês, podendo configurar concorrência desleal, à luz das regras comunitárias.
O Governo disse hoje que cumpriu a lei neste dossier e destacou que a empresa chinesa já forneceu outras empresas em Portugal, como a Metro do Porto.
“A CRRC já vendeu equipamento para outras empresas públicas. O Metro do Porto opera CRRC e com resultados claros”, disse o ministro das Infraestruturas esta terça-feira no Parlamento.
“Não estou à procura de views, estou à procura de fazer uma gestão criteriosa”, disse Miguel Pinto Luz em resposta às críticas do deputado do Chega, Francisco Gomes, que acusou o Metro de Lisboa de ser um “mero espetador neste processo”.
A CRRC é uma fabricante chinesa de locomotivas e material circulante, integrando o consórcio vencedor liderado pela Mota-Engil, no valor de 600 milhões de euros, mais IVA.
A companhia portuguesa de construção já disse que está disposta a trocar de fornecedor, caso a Comissão Europeia conclua que a CRRC não tem condições para integrar o consórcio.
Em novembro de 2025, a Comissão Europeia disse haver “indícios suficientes de que a Portugal CRRC Tangshan Rolling Stock Unipessoal pode ter beneficiado de subvenções estrangeiras que distorceram o mercado interno, justificando uma investigação aprofundada”.
Bruxelas disse que a investigação vai servir para garantir uma “concorrência leal e condições de concorrência equitativas na UE”.
“Não é o Metro de Lisboa a empresa visada nesta investigação. O Metro não pode contactar diretamente a Comissão Europeia, responde ao que foi pedido. A empresa foi subcontratada e o consórcio liderado pela Mota-Engil admitiu a hipótese de substituir a CRRC, tendo o metro informado a Comissão desta possibilidade. O Governo respeitou integralmente os mecanismos europeus de supervisão e cumpriu o interesse público”, disse a deputada do PSD, Margarida Saavedra, na sua intervenção.
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