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Paz no Médio Oriente? Ainda é cedo para cantar vitória

Será que o cessar-fogo vai trazer paz duradoura? Esta é a grande questão neste momento em todo o mundo. Economia mundial aguarda em suspense.
8 Abril 2026, 13h25

Um cessar-fogo de duas semanas no Golfo Pérsico foi anunciado antes de terminar o ultimato de Donald Trump.

Em reação, o barril de petróleo segue a cair 15% para 93 dólares por barril, com os preços do gás a afundarem mais de 15% para 45 euros/MWh.

Apesar da boa reação dos mercados internacionais, desesperados por boas notícias, os analistas avisam que ainda é muito cedo para cantar vitória, isto é, para considerar que a paz vai ser efetivamente alcançada entre EUA/Israel e Irão.

Os alemães do Allianz GI consideram que a “incerteza quanto à duração da trégua mantém-se”, mesmo assim espera uma reabertura do estreito de Ormuz, aliviando as “preocupações” com o abastecimento e cortando o preço do petróleo para 95 dólares por barril.

Ao nível dos bancos centrais, vai dar mais tempo para que avaliem as “implicações para o crescimento e a inflação deste último choque na oferta, reduzindo o risco de subidas das taxas de juro já este mês”, segundo o economista-chefe Christian Schulz.

Por sua vez, o BNP Paribas destaca que, apesar de não haver até ao momento constrangimentos físicos na Europa, o mercado, ainda assim, deverá “continuar sob pressão nas próximas semanas, sendo já referida no setor da aviação uma visibilidade limitada quanto à disponibilidade de combustível para além de um horizonte de 5 a 6 semanas”.

A Ebury, por seu turno, considera que os investidores estão “satisfeitos por o pior cenário catastrófico ter sido evitado e encorajados pela promessa de que o transporte de petróleo através do Estreito de Ormuz será em breve retomado”.

Com as negociações entre os EUA e o Irão a arrancarem na sexta-feira na capital do Paquistão, “a questão fundamental será se isto irá trazer uma paz duradoura, ou se o cessar-fogo de terça-feira serviu apenas para adiar o problema. Suspeitamos que os participantes no mercado não se comprometerão totalmente com uma postura de apetência pelo risco, nem que os futuros do petróleo ou o dólar regressem aos níveis pré-guerra, até que seja alcançado um acordo permanente”, , segundo Matthew Ryan da Ebury.

No estreito de Ormuz, os prémios de seguro continuam “extremamente elevados” e existe o risco de novos ataques. A volatilidade deverá manter-se elevada nos próximos dias, “à medida que os investidores analisam minuciosamente tanto os pormenores das negociações como os dados relativos ao tráfego marítimo. Caso as negociações fracassem ou a atividade através do estreito permaneça reduzida, os preços do petróleo e o dólar poderão inverter a tendência com bastante rapidez”.

Por parte do banco suíço UBS, o economista-chefe Paul Donovan avisa que os “mercados estão inclinados a interpretar o cessar-fogo como um fim definitivo do conflito. No entanto, o baixo nível de confiança do Irão no compromisso da administração dos EUA com os acordos significa que é importante analisar os motivos desta mudança”.

O analista aponta que, se a mudança de rumo por Donald Trump tiver sido motivada pela política interna dos EUA, “isso poderá indicar um acordo mais duradouro. A crise de acessibilidade agravou-se com o preço da gasolina acima de 4 dólares por galão nos EUA. O apoio interno à guerra era baixo. Os Republicanos sofreram uma derrota significativa na eleição para o Supremo Tribunal do Wisconsin (um estado decisivo nas eleições)”.

Sobre a portagem que o Irão pretende cobrar no estreito de Ormuz, deverá ser de 1 dólar por barril, o que é “economicamente insignificante. O que realmente importa é onde esse dinheiro será gasto (quase certamente não nos EUA). Este fluxo de fundos também é relevante ao considerar a reconstrução e o rearmamento na região do Golfo — presumivelmente financiados por receitas do petróleo e possivelmente por fundos soberanos. Se a região estiver agora menos inclinada a comprar produtos ou ativos dos EUA, os petrodólares poderão ser convertidos”.

Paul Donovan também destaca que a “guerra desencadeou também mudanças estruturais — um novo impulso às energias renováveis, possível investimento em rotas alternativas ao Estreito de Ormuz, e uma reavaliação das prioridades no investimento em defesa”.


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