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Distribuição diz que guerra trouxe “danos irreversíveis” para as empresas

O diretor-geral da APED, Gonçalo Lobo Xavier, diz que é inevitável o aumento dos preços dos alimentos quando os custos com a energia também aumentaram. E sublinha a perda de competitividade face a Espanha.
10 Abril 2026, 07h36

A meio da semana chegou um aparente alívio nas economias mundiais com o cessar-fogo na guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irão. E com isso a expectativa de uma descida dos preços da energia. Contudo, para as empresas portuguesas de distribuição e retalho, os danos causados por mais de 40 dias de guerra “são irreversíveis e não desaparecem de um dia para o outro”, diz Gonçalo Lobo Xavier, diretor-geral da Associação Portuguesa das Empresas de Distribuição (APED).
Ao JE recorda que esta pausa na guerra é importante e positiva, pela paz e para melhorar os níveis de confiança das pessoas e para os efeitos que tem nos mercados e no preço do petróleo. Mas o tempo que se prolongou teve efeitos assinaláveis. “Tivemos quase um mês de operações das empresas com custos de energia significativos e perda de competitividade face a Espanha, e isso é irreversível”.
Para este responsável é melhor ter tréguas do que não ter, mas sinaliza a preocupação com a situação das empresas. Março foi difícil e em abril haverá outro tipo de consequências. “É inevitável que existam aumentos de preços, e tendo os nossos fornecedores e parceiros que suportar o aumento dos custos, irão passá-los para nós, e nós temos que ou os acomodar esmagando cada vez mais as nossas margens ou, não havendo outra hipótese, transferir esse aumento de custo para o valor final dos produtos”.

Os apoios têm de chegar agora
Lobo Xavier sublinha a necessidade dos apoios que foram prometidos para a agricultura chegarem agora aos agricultores. “É agora que eles precisam”. Outro dos fatores de preocupação apontados pelo diretor-geral da APED é apoio que o governo de Pedro Sánchez deu às empresas espanholas e que está a fazer mossa deste lado da fronteira Explica que Espanha continua a ser o nosso principal parceiro comercial, quer para exportações, quer para importações, mas teve um pacote de apoios “mais rápido e mais significativo” que Portugal. “Enquanto tivermos esta discrepância entre os preços de energia, estamos sempre a perder”, conclui, acrescentando que “os nossos transportes, a nossa logística, a nossa produção primária, a nossa agroindústria não está competitiva face à Espanha”. Recentemente, a APED e a Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP) juntaram-se para pedir um pacote “coerente e eficaz de medidas que promova condições de concorrência mais equilibradas, reduza custos de contexto e apoie de forma concreta e visível a produção nacional, salvaguardando o acesso a bens essenciais e a confiança dos consumidores”. Lobo Xavier diz que, até ao momento, o apelo não teve consequências além dos acertos no gasóleo agrícola e o que considera “muito curto e insuficiente”, e sublinha: “não queremos pôr em causa o equilíbrio das contas públicas e percebemos a preocupação do Governo.”
Sobre o aumento dos preços do cabaz alimentar (ver caixa), Gonçalo Lobo Xavier atenta para que exista “cautela e frieza a ver os números e não pelas sensações ou aparências”. Explica ao JE que os preços do cabaz de janeiro foram contratualizados nos últimos meses do ano anterior. “Quando começam a aparecer produtos em fevereiro e em março, falamos de produtos que já tiveram as novas tabelas dos preços dos fornecedores e o incremento dos custos do trabalho. Portanto, janeiro não é um bom mês para se comparar porque ainda não tem as devidas implicações. Agora, em março, já temos produtos com nova tabela de preços, já com os custos de energia que foram sendo transferidos para toda a cadeia de valor, e o mesmo vai acontecer em abril, ainda com mais propriedade.

“Ainda não vimos grande coisa”
Sem a crise energética na equação, o que atualmente é quase impossível, pedimos uma avaliação do Executivo de Montenegro. “Temos a esperança que este seja um governo reformista, ao contrário dos anteriores. Reformista e que traga novidades do ponto de vista do equilíbrio e de não estrangular tanto as empresas com obrigações”. O responsável da APED frisa, porém, que “ainda é muito cedo , porque ainda não vimos grande coisa”. Prefere não criticar nem elogiar , realçando que “é manifestamente insuficiente o que tem sido apresentado”.
Entre as soluções pedidas para o setor, estão coisas “simples de resolver”, adjetiva Lobo Xavier, entre as quais a desmaterialização de faturas, a abolição de algumas taxas ou a criação de mecanismos que facilitem apoios à formação, “coisas que ainda estão por fazer.”


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