Os líderes do Brasil, Rússia, Índia e África do Sul vão reunir nesta quarta e quinta-feira, dias 13 e 14 de novembro, em Brasília, capital do Brasil, naquela que será a 11.ª cimeira das cinco principais economias emergentes, vulgo BRICS. “Crescimento económico para um futuro inovador” é o tema para este encontro, sendo que os cinco países encontram-se em fases económicas e momentos políticos diferentes.
Contrariando o que ocorreu em cimeiras anteriores, os presidentes sul-americanos não foram convidados para participar em reuniões paralelas à cimeira. A Índia foi o principal Estado a solicitar que outros países da América do Sul fossem a Brasília, mas Bolsonaro rejeitou a ideia. Desta forma, a plataforma que nasceu em 2006 poderá ocorrer em Terra de Vera Cruz vazia de conteúdo político e mais orientada para acordos virados para a ciência, tecnologia e inovação, economia digital e relações comerciais.
Ainda assim, de acordo com o jornal “O Globo”, o governo brasileiro poderá aproveitar a cimeira para reforçar o seu papel de exportador de alimentos, matérias primas minerais e abrir portas a futuras obras de infraestruturas e logística.
Para o 11.º encontro dos BRICS, o presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, deverá procurar consolidar a relação com a China. Bolsonaro e Xi Jinping poderão vir a assinar vários acordos de cooperação entre os dois estados.
O encontro dos BRICS surge depois do maior leilão de petróleo da história do Brasil, que culminou na vitória de um consórcio entre a Petrobras e duas empresas chinesas.
A China, por sua vez, é vista por todos os integrantes deste bloco económico como o grande investidor. Olhando para energia, petróleo, gás, transportes e portos, Xi Jinping deverá procurar expandir os horizontes chineses em Brasília.
Para a Rússia de Vladimir Putin, este encontro deverá servir para abrir o mercado russo à venda de alimentos provenientes do Brasil e negociar acordos de transferência de tecnologia. Tendo em conta a dificuldade da Rússia em ter uma relação pacífica com a União Europeia, o governo brasileiro deverá procurar beneficiar de um possível acordo para exportação de carnes.
Já a ida de Narendra Modi ao Brasil será um encontro preliminar entre Bolsonaro e o primeiro-ministro da Índia, tendo em vista a visita de Estado que o presidente do Brasil tem agendada à Índia, em janeiro de 2020. A imprensa brasileira aponta que o Brasil procura encontrar condições para um acordo comercial com a Índia.
A chegada do presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, ao Brasil poderá ser sinónimo de reaproximação com o tecido empresarial brasileiro. Depois do início do escândalo político e judicial Lava Jato, várias construtoras sul-africanas deixaram de operar no Brasil.
BRICS: cinco países, cinco economias, 13 anos de cooperação
O economista britânico Jim O’Neill designou o termo BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul) em 2001, aludindo a um bloco económico e político formado pelas quatro economias (ainda sem África do Sul) em desenvolvimento. O’Neill, então chefe de investigação económica do Goldman Sachs, acreditava que estes países iriam dividir o poder económico mundial com o bloco das economias mais desenvolvidas do mundo, vulgo G7.
Mas o bloco só viria ser oficialmente formulado em 2006, quando os ministros de Negócios Estrangeiros do Brasil, Rússia, Índia e China se encontraram em Nova Iorque, nos Estados Unidos, num evento paralelo à Assembleia Geral das Nações Unidas. O grupo foi formalizado no primeiro encontro oficial de chefes de Estado, em junho de 2009, em Ecaterimburgo, na Rússia.
Em 2009, o bloco determinou que o seu objetivo era desenvolver um mecanismo de cooperação entre as quatro economias emergentes. Os governos ajudar-se-iam mutuamente para melhorar a situação económica global após a crise de 2008 e ampliar a participação de países em desenvolvimento em instituições financeiras internacionais, como o Fundo Monetário Internacional (FMI).
Um ano depois, na segunda reunião do bloco, em abril de 2010, em Brasília, o então presidente sul-africano, Jacob Zuma, compareceu como convidado. A África do Sul juntou-se ao grupo em abril de 2011 em Sanya, China, e a partir daí, o bloco passou oficialmente para BRICS.
Prova do comprometimento dos cinco países numa cooperação económica foi a criação de uma organização internacional independente para estimular cooperação política, comercial e cultural – assim nasceu o Fórum BRICS em 2011. Dois anos depois, na cimeira de Durban, África do Sul, os BRICS concordaram na criação de uma entidade financeira, o Novo Banco de Desenvolvimento (NBD), cuja criação foi oficializada em 2014, na cidade brasileira de Fortaleza.
O NBD começou a funcionar em 2015, com o objetivo de funcionar como alternativa ao FMI e apoiar no financiamento de projetos de infraestrutura junto das economias mais fragilizadas. Cada um dos países integrantes do BRICS depositou neste banco dez mil milhões de dólares para criar o capital do banco.
Para complementar o trabalho do NBD, os BRICS criaram outro fundo para apoiar financeiramente países que passem por dificuldades económicas e financeiras. A criação deste fundo não implicou a transferência de quaisquer verbas, mas sim no firmar do compromisso de emprestar recursos a um membro deste bloco, caso este necessite.
Desde 2015, os países do BRICS têm buscado ampliar as áreas de cooperação. Entre os setores considerados prioritários para o Brasil estão saúde, ciência, tecnologia, inovação, economia digital, combate ao crime transnacional e aproximação entre o Novo Banco de Desenvolvimento e as empresas.
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