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MDS. “Continuaremos a apostar na inovação”

Ricardo Pinto dos Santos, country manager da MDS Portugal, mostra-se otimista quanto ao cumprimento dos objetivos traçados para 2016, revelando estar particularmente atento à possibilidade de crescimento por aquisição.
19 Julho 2016, 08h30

Como caracteriza o atual mercado nacional de seguros? Considera que estão ultrapassados os piores anos de crise?
Depois de vários anos com redução do volume de prémios no ramo Não-Vida, o ano 2015 marcou o fim desta tendência, registando uma ligeira recuperação, de cerca de 3,5%. Nesta evolução, destacou-se o ramo de Acidentes de Trabalho, que tem um peso significativo no volume global. Este movimento de recuperação acentuou-se em 2016, com um crescimento de cerca 5% no ramo Não-Vida, que é imprescindível para o equilíbrio do setor. Isto permitiu aos seguradores assumirem as suas responsabilidades com desempenhos adequados, mas ainda há um caminho a percorrer, prevendo-se a tendência de aumento dos prémios. Embora a atividade económica apresente sinais de melhoria, o clima é ainda de alguma indefinição, pelo que será precipitado assumir que os piores terão sido ultrapassados. Esta incerteza é agravada pelas circunstâncias em que vivemos atualmente, não só em Portugal mas também a nível internacional, o que inevitavelmente
tem impacto na atividade. Não podemos descurar também outro fator: um movimento de consolidação no mercado, muito por força das novas exigências – caso da Solvência II (já em vigor) ou da Nova Diretiva Comunitária de Distribuição de Seguros, que vem exigir a todos
os operadores uma maior responsabilização e dever de informação, tendo implicações substanciais na estrutura e políticas de negócio. A MDS, mesmo considerando este contexto económico e novas exigências impostas, tem crescido organicamente, com performances positivas, reflexo do forte investimento na consolidação das competências e diversificação de negócio, nomeadamente no retalho, Affinity e na rede de agentes.

Que balanço faz deste 1.º semestre de atividade em Portugal?
A MDS fecha o semestre mantendo a tendência de crescimento dos últimos anos, muito em linha com os objetivos aprovados para 2016. A
parte final do ano 2015 foi muito positiva, com a conquista de clientes de grande dimensão e de referência no mercado, com impacto importante no desempenho deste ano. Este é o resultado da política de diferenciação positiva da MDS, o que nos tem permitido aumentar a capacidade de servir os nossos clientes com recursos de elevada qualidade: know how especializado, serviço personalizado, robustos sistemas de informação, acesso privilegiado aos mercados internacionais e dimensão mundial.

Como prevê fechar 2016?
Estamos a cumprir com o plano estratégico e em linha com o orçamento delineado para este ano, que prevê um crescimento orgânico de
5%. Ainda que dependentes da evolução do cenário económico, acreditamos mesmo poder superar os objetivos. Sendo a MDS o maior broker do mercado português, com uma quota muito relevante, este crescimento é bastante expressivo. Continuamos, de qualquer forma,
muito atentos a possíveis oportunidades de crescimento por aquisição, de forma a acelerar essa tendência.

Em que áreas pretendem apostar ou reforçar a curto/médio prazo?
Na MDS, estamos focados em manter a nossa posição de liderança nomercado e, para isso, continuaremos a apostar na inovação e disponibilização de soluções diferenciadoras. Somos um corretor com muita experiência e queremos continuar a consolidar esta posição. A
área de Affinity, que cria soluções à medida para os nossos parceiros comercializarem junto dos seus clientes ou associados, continua a ser
um dos principais motores de crescimento. Queremos fortalecer ainda mais a nossa posição em áreas onde temos já muita experiência,
como Property e Casualty e Employee Benefits, assim como na nossa forte especialização em riscos industriais e complexos de grande dimensão. Estamos também apostados em trabalhar com os nossos clientes para fazer face aos riscos emergentes, cooperando com seguradores, corretores e clientes. No âmbito da nossa estratégia de crescimento e, como referido anteriormente, estamos atentos ao mercado e a eventuais oportunidades de consolidação que possam fazer sentido, como aconteceu com a aquisição da Accive, em 2015. Prosseguimos com o reforço das nossas equipas, numa perspetiva de melhoria contínua que acentue ainda mais o nosso posicionamento como consultor independente de elevado valor acrescentado, desenvolvendo serviços e produtos exclusivos. Estamos também
empenhados na construção de um modelo que facilite e potencie a nossa presença no mercado, adaptada às novas tendências de relacionamento com os clientes. Isto será possível com uma aposta na presença “digital”, na otimização de processos, aumentando a capacidade de adaptação rápida à mudança. A internacionalização e a diversificação mantêm-se como pilares estratégicos de crescimento.

A MDS tem uma forte presença no Brasil e em África. Como estão a correr estes mercados?
A atividade internacional da MDS tem vindo a desenvolver-se de forma sustentada. No Brasil, somos um dos maiores players do mercado,
com perto de 400 colaboradores e 12 escritórios. Contamos com uma equipa com um forte knowhow capaz que enfrentar o desafio atual do abrandamento económico naquele país, beneficiando das vantagens competitivas de integrar um grupo multinacional como a MDS.
Apesar da crise, 2015 foi o nosso melhor ano e 2016 mantém essa tendência. Em África, ocupamos posições de destaque em Angola e Moçambique, países onde queremos reforçar a nossa presença. Nesse sentido, recentemente o João Alvadia foi nomeado CEO da MDS
África, cuja missão é garantir uma dinâmica ambiciosa de crescimento e de afirmação da MDS neste mercado, consolidando o investimento já realizado e explorando novas oportunidades de desenvolvimento. Na Europa, e na linha de reforço da posição ibérica, adquirimos uma posição importante num corretor de Madrid, em parceria com a Fillet-Alard, o nosso parceiro francês da Brokerslink. O nosso objetivo é alavancar a base de atuação já existente através das sinergias com a operação de Portugal e, naturalmente, reforçar a estrutura local com recursos que nos permitirão, em conjunto, obter crescimentos relevantes. Assim, apesar dos contextos económicos e sociais, a MDS tem sido capaz de crescer e tornar as suas operações mais eficientes a nível comercial e financeiro.

Existem planos para apostar num outro mercado internacional?
A MDS está hoje presente em mais de 90 países através da sua participada Brokerslink. No entanto, estamos apostados em desenvolver ainda mais as nossas operações, colocando o nosso conhecimento e competências ao serviço de um maior número de mercados. Ponderamos também outras geografias, capitalizando a nossa experiência internacional, nomeadamente enquanto acionista fundador e líder da Brokerslink.

Por Sónia Bexiga/OJE


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