O antigo líder da União Soviética, Mikhail Gorbachov, advertiu esta segunda-feira que o mundo está a “aproximar-se perigosamente da zona vermelha”, numa referência clara ao agudizar das tensões entre Moscovo e Washington.
Depois da anexação da península ucraniana da Crimeia pela Rússia em 2014, as falhas sucessivas em restaurar a paz em Alepo ditaram um exacerbar das relações entre a Rússia e os EUA. O último cessar-fogo imposto pelos dois países à Síria, decretado no final de setembro, durou apenas uma semana. Depois disso, a Rússia terá apoiado o exército sírio numa ofensiva de larga escala, condenada pelos EUA, contra a cidade de Alepo, a fim de retomar a segunda maior cidade síria. A acrescentar a esta situação, a Rússia vetou no sábado passado pela quinta vez uma resolução da ONU para a resolução do conflito na Síria.
Do “lado ocidental” lamenta-se a posição da Rússia e lembram a Moscovo que não pode justificar os bombardeamentos que tem levado a cabo no território sírio com as “poucas centenas” de terroristas da Al-Nusra que lá se encontram. O secretário de Estado norte-americano, John Kerry, fala mesmo em possíveis “crimes de guerra” envolvendo a Síria e a Rússia.
Mikhail Gorbachov, o último dirigente da antiga URSS e prémio Nobel da Paz em 1990 pela sua contribuição para finalizar a Guerra Fria – que depois da Segunda Guerra Mundial opôs a Rússia aos EUA em conflitos indiretos, e que culminou com a queda em 1991 da URSS – , afirma que não quer “dar receitas concretas, mas gostaria de dizer que isto tem que acabar. Temos que retomar o diálogo”, para que situações como as do passado não se repitam.
Gorbachov apela a que ambas as partes “regressem às prioridades principais”, designadamente a luta contra o terrorismo, o desarmamento nuclear e a proteção do ambiente.
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