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Dois novos hotéis Enotel na Madeira

O empresário madeirense Estêvão Neves vai finalmente avançar com o projeto do novo hotel na Estrada Monumental, na cidade do Funchal, ilha da Madeira, onde tem o terreno há muito tempo. Um terreno que já conheceu diferentes ideias, agora devidamente delineadas no tempo e alicerçadas financeiramente.
6 Janeiro 2017, 11h37

Presentemente, o espaço, delimitado pelo hotel Alto Lido (a leste), pela Travessa da Ajuda (a oeste), pela Rua Velha da Ajuda (a norte) e pela Estrada Monumental (a sul), está a ser utilizado pela Câmara Municipal do Funchal com hortas urbanas para a população. Ali vai surgir a quinta unidade do grupo na Madeira, o Enotel Monumental.

Mais adiante, num outro terreno sem construções de registo, igualmente na Estrada Monumental (a norte dos novos apartamentos ligados ao antigo hotel Madeira Palácio, e a sul do conjunto de lojas do Rua do Vale da Ajuda, onde está a loja CR7, com o Caminho do Amparo a oeste), vai surgir aquela que será a sexta unidade de Estêvão Neves na Madeira: o Enotel Club.

O empresário que neste momento está no seu empreendimento hoteleiro no Brasil, em Porto de Galinhas, explica ao Económico Madeira que estas duas unidades de quatro estrelas, serão construídas em várias fases, dispersas no tempo. Serão duas fases para o Enotel Monumental e três fases para o Enotel Club.

Estêvão Neves refere que, por se tratarem de terrenos muito grandes, vão fazer só dois hotéis, mas em diferentes fases. A primeira fase iniciar-se-á no Enotel Monumental, em 2018/2019. Terminada esta fase, em 2021, começam as obras da 1.ª fase do Enotel Club, que fica concluída em 2024/2025. Nessa altura, voltam à 2.ª fase e à conclusão do Enotel Monumental, em 2028.

Os trabalhos ficam prontos nas intervenções seguintes, com as duas últimas fases do Enotel Club, previstas terminarem em 2035.

Estêvão Neves evidencia que esta calendarização, além da questão da dimensão dos dois terrenos, assenta no propósito de “se fazer uma integração no mercado de qualidade e equilibrada”.

Depois de concluído em 2028, o Enotel Monumental terá 388 quartos (776 camas), e quando estiver pronto, em 2035, o Enotel Club terá 886 quartos (1.772 camas). Será um total de 1.274 quartos que se traduzirão em 2.548 camas.

Os investimentos para os dois projetos, às projeções de hoje, segundo o hoteleiro, devem atingir entre 138 e 140 milhões de euros.

A este montante, o empresário vai aplicar ainda mais em obras nos hotéis que já tem na Madeira. Serão entre 18 a 20 milhões de euros para trabalhos “que levaremos a efeito de 2018 a 2021 nas quatro unidades em funcionamento”. Para os hotéis Enotel Quinta do Sol (Funchal), Enotel Baía (Ponta do Sol) e Enotel  Golf (Santo da Serra), serão destinados cerca de oito milhões euros.

Sistema na Madeira não evolui desde os anos 60

No cinco estrelas do grupo, o Enotel Lido, Estêvão Neves revela que irá encerrar a unidade por seis semanas “para executar substanciais alterações no funcionamento geral de todo o hotel, nos restaurantes, na área de lazer e no SPA…”, num investimento que será entre 10 e 11 milhões de euros.

Em relação aos postos de trabalho a criar para os novos hotéis Enotel Monumental e Enotel Club, começa por referir ao Económico Madeira que “serão muito mais que o habitual na ilha da Madeira”. E explica porquê.

Estêvão Neves recorda que no sistema tradicional que a Madeira vem apresentando ao mercado, de alojamento e pequeno-almoço, ou de alojamento com meia pensão, “que já vem dos anos 50 e 60, sem qualquer evolução, que não sejam algumas pinturas ou substituição de alcatifas”, a ocupação de profissionais nesta modalidade anda numa média de 0,6 por quarto.

No entanto, complementa que no “nosso sistema de “all inclusive”, único na Madeira, a ocupação profissional quase que duplica, porque prestamos um serviço durante 24 horas, com diversos bares abertos 24 horas. E, para além do restaurante principal, temos mais quatro temáticos em que o cliente tem garantido o acesso, pelo menos a três deles em cada estadia por semana. Não só é uma enorme inovação, como estamos a lançar e a consolidar o turismo do futuro que é o turismo de família, é o turista que repete, porque os filhos, que são os nossos melhores comerciais, exigem aos pais para regressarem novamente”.

A fidelização

E é esta tónica do turista repetente, da fidelização, que já conhece nas suas unidades da Madeira como igualmente nas que dispõe no Brasil. Neste âmbito, confidenciou que, por estes dias, despediu-se de um cliente que “desde 2008, todos os anos, vem cá duas vezes, em julho e em dezembro, nas férias das escolas. Inclusive, já veio este ano com netos, de um casamento da filha com outro cliente que conheceram aqui no Enotel, no réveillon de 2010. Portanto, aqui está um belo exemplo do nosso modelo de gestão”.

Dito isto, no que toca aos postos de trabalho a criar nas duas novas unidades de quatro estrelas que o grupo terá na Madeira, “em vez de serem os tais 750 profissionais, no nosso sistema vamos empregar 1.400 funcionários. Como aqui no Brasil temos hoje 715 quartos, mas estamos em expansão para mais 325, para atingirmos os 1.040 no total, mas já temos 985 profissionais”.

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