A Reserva Federal norte-americana mostra confiança no aumento das taxas de juro de forma gradual “brevemente”, nas minutas da reunião de 31 de janeiro e 1 de fevereiro divulgadas esta quarta-feira, não estando, assim, descartada a hipótese de um aumento das taxas de juro.
“Muitos participantes expressam a opinião de que poderia ser apropriado aumentar a taxa dos fundos federais de novo brevemente”, isto se “as informações sobre o mercado de trabalho e a inflação estivessem em linha com ou mais fortes do que as expetativas atuais”, pode ler-se nas Minutas divulgadas pela Reserva Federal norte-americana.
“Com a retórica de contração monetária a conferir força ao dólar, as minutas serviram para confirmar as expetativas de que um aumento em março continua em cima da mesa. Os investidores estiveram ainda atentos à intenção por parte da FOMC de iniciar uma discussão alargada sobre a folha de balanço já nas próximas reuniões, confirmando que a contração monetária é cada vez mais evidente”, considera Eduardo Silva, gestor da corretora XTB, em declarações ao Jornal Económico.
A presidente da Fed, Janet Yellen, anunciou a 14 de fevereiro que novos aumentos nas taxas de juros seriam necessários num cenário de rápido crescimento da economia.
O gestor da corretora da XTB frisa que “a probabilidade de que as minutas viessem reiterar a perspetiva de três aumentos em 2017, assim como deixar março em aberto para o primeiro aumento, confirmou-se apesar de o mercado continuar cético como podemos verificar nos FED Fund Rate Futures em que num momento inicial não se sentiram grandes alterações”.
A reunião da Fed foi a primeira desde a tomada de posse de Donald Trump. O republicano prometeu estimular a economia através de cortes nos impostos e investimento nas infraestruturas. As minutas revelam incerteza sobre questões que vão desde o estímulo fiscal da administração Trump ao que o aumento do dólar pode representar. Contudo, os dados positivos relativos à inflação, manufatura e vendas a retalho estão a equilibrar a incerteza relativa à reforma fiscal anunciado por Trump.
“Consoante a evolução destes fatores, a FOMC poderá acelerar ou travar a velocidade dos aumentos de taxa de juro ao longo do ano. No entanto, como era esperado, não foi esse o foco da ultima reunião”, explica, ainda, Eduardo Silva.
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