A revista norte-americana “Architectural Digest” recomenda aos seus leitores uma viagem a Lisboa e explica porquê. Sucintamente: para ver azulejos. Sim, azulejos, descritos como “placas de cerâmica vitrificadas” e “uma forma de arte que permanece como uma fonte de orgulho e deleite nacionais,” tal como os jornalistas dizem ter testemunhado em visita recente à capital portuguesa.
O artigo em causa, publicado hoje, destaca o mural de azulejos concebido por André Saraiva, artista e empresário, no jardim Botto Machado, perto da Feira da Ladra. Ao todo são 55 mil azulejos pintados à mão, cada um dos quais produzidos na histórica fábrica da Viúva Lamego. Desde que foi inaugurado em Outubro de 2016, o mural tem sido profusamente fotografado por turistas e demais transeuntes. “O mural é a minha cidade de sonho,” descreve Saraiva. Questionado sobre se não tem receio de que o mural seja vandalizado, o criador responde com um sorriso, comentando: “Porque é que acha que deixei tanto espaço em branco?”
Numa espécie de roteiro pela Lisboa dos azulejos, a “Architectural Digest” também destaca o recém-inaugurado (e entretanto novamente fechado para obras) edifício do Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia (MAAT), na frente ribeirinha de Belém, com a sua estrutura curvilínea e coberta de “placas de cerâmica”, projetado pela arquiteta britânica Amanda Levete. “Os puristas podem argumentar que as placas não são azulejos, na medida em que são fixadas numa estrutura de alumínio em vez de se recorrer a um método de aderência mais tradicional,” ressalva o artigo, “mas a maior parte das pessoas estará demasiado seduzida pelas espetaculares vistas do rio a partir do telhado” para se importar com esse detalhe.
O roteiro passa ainda pela fachada de azulejos junto à loja “A Vida Portuguesa”, no Intendente, e por um mural de Maria Keil na escada de acesso a uma estação de metropolitano. E termina com sugestões de atrações culturais (Mosteiro dos Jerónimos, Convento do Carmo, Museu Nacional dos Coches, entre outros), restaurantes (“Gambrinus” ou “Palácio Chiado”), lojas (“Cortiço & Netos”, “Conserveira de Lisboa”, etc.) e hotéis.
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