Depois de problemas na produção de vacinas e atrasos nas entregas, vários países estão atualmente a optar por suspender a vacinação da vacina da AstraZeneca/Oxford após os surgimento de casos de reações adversas ao fármaco. Até agora, são 13 as nações que deixaram de lado este lote de vacinas até que as evidências indiquem que a vacina é segura. Para já, Portugal ainda não faz parte desta lista, tendo a Direção-Geral de Saúde (DGS) e o Infarmed reiterado a confiança no fármaco, este domingo, salientando, no entanto, que estão a acompanhar as investigações que decorrem neste momento.
A Dinamarca, Estónia, Lituânia, Letónia, Islândia, os Países Baixos, a Irlanda, a Noruega, o Luxemburgo, a Áustria, Itália, França, a Alemanha e a Espanha suspenderam temporariamente a administração desta vacina contra a Covid-19, depois de terem surgido casos de formação de coágulos sanguíneos em pessoas vacinadas na Dinamarca e se ter registo a morte de uma mulher dinamarquesa, de 60 anos. Fora da Europa, a Tailândia também se junta à lista, tendo anunciado que iria adiar o lançamento da campanha de vacinação com AstraZeneca.
A Dinamarca recebeu o mesmo lote de vacinas que a Áustria, onde também foram registados dois casos de formação de coágulos sanguíneos, um dos quais resultou na morte de uma enfermeira de 49 anos vacinada, que sofreu múltiplas tromboses, e ainda o registo de sintomas graves de embolia pulmonar noutra enfermeira de 35 anos, igualmente vacinada.
Assim, a Agência Europeia do Medicamento (EMA) analisou o lote em causa, que foi enviado para 17 países (mas não Portugal) e frisou, em comunicado, “não existir actualmente qualquer indicação que a vacinação tenha causado estas condições, que não estão listadas como efeitos secundários desta vacina”.
O lote ABV5300 contém um milhão de doses e foi enviado para a Áustria, Bulgária, Chipre, Dinamarca, Estónia, França, Grécia, Islândia, Irlanda, Letónia, Lituânia, Luxemburgo, Malta, Países Baixos, Polónia, Espanha e Suécia, diz o comunicado da EMA. A Noruega e a Irlanda, embora não tenham recebido o lote em causa, optaram por suspender o processo de vacinação como medida de precaução.
Na Suécia foram identificados dois casos de “eventos tromboembólicos” relacionados com a vacina da AstraZeneca e cerca de 10 com a vacina da Pfizer, mas as autoridades de saúde não conseguiram encontrar evidências suficientes para parar a vacinação das doses da farmacêutica anglo-sueca.
Também a Espanha avançou, na passada quinta-feira, que não irá suspender a administração da vacina da AstraZeneca, indicando não ter registado qualquer casos de coagulação do sangue relacionada com o lote da AstraZeneca.
A AstraZeneca garante que todos os lotes da sua vacina são submetidos a um rigoroso controlo de qualidade e “que não foram detectados efeitos adversos graves associados com a vacina”. Garantiu ainda que está em contacto com as autoridades austríacas e a colaborar com a investigação.
AstraZeneca anuncia novos atrasos na entrega de vacinas
Esta não é a primeira polémica em torno da vacina anglo-sueca. Este sábado, a farmacêutica anunciou novos atrasos na entrega da sua vacina contra a Covid-19 à União Europeia, invocando restrições à exportação. Algo que o comissário europeu para o Mercado Interno, Thierry Breton, considerou como “inaceitável” e “incompreensível”.
Perante as dificuldades de produção, o grupo decidiu utilizar as suas unidades de produção fora da União Europeia, mas “infelizmente, as restrições à exportação vão reduzir as entregas no primeiro trimestre” e “provavelmente” no segundo, segundo um porta-voz do grupo citado pela agência France Presse.
Muito criticada pelo ritmo lento das entregas na Europa e pelos atrasos do grupo AstraZeneca, a Comissão Europeia, que negociou os contratos em nome dos seus 27 Estados-Membros, espera um aumento das entregas no segundo trimestre.
Segundo a France Presse, as entregas podem atingir um ritmo médio de 100 milhões de doses por mês, de abril a junho, para todas as vacinas combinadas, ou seja, 300 milhões para todo o trimestre.
A AstraZeneca anunciou no final de janeiro que só poderia entregar 40 milhões de doses aos países da União Europeia no primeiro trimestre, dos 120 milhões que havia inicialmente prometido devido a dificuldades de fabrico numa fábrica belga.
Notícia atualizada às 17:37 com informações sobre a suspensão da vacinação em Espanha.
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