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Orey Antunes com 12,8 milhões de prejuízo em 2016

“Apesar da sua significativa melhoria, o cash-flow operacional gerado não permite ainda fazer face ao serviço da dívida pelo que o Grupo continua exposto à obtenção de financiamento externo. É neste contexto, que foi convocada uma Assembleia Geral de Obrigacionistas Best Of com o objetivo de adequar os termos e condições desta relevante emissão à capacidade de geração de cash-flow”, diz a empresa liderada por Duarte d´Orey.
16 Junho 2017, 00h33

A Sociedade Comercial Orey Antunes, liderada por Duarte d´Orey, apresentou os resultados anuais hoje, sexta-feira, às 00:06, depois do prazo legal de 31 de maio.

A Orey teve prejuízos de 12,8 milhões de euros, dos quais mais de 5 milhões extraordinários e que resultam da venda do Banco Inversis com menos-valia. “O ano de 2016 foi de reestruturação e transformação para o Grupo Orey tendo encerrado o exercício com um resultado liquido negativo consolidado de 12,8 milhões de euros”, diz o comunicado.

“Este resultado decompõe-se numa perda contabilística de 5,9 milhões de euros registada na venda da posição no Banco Inversis; custos não recorrentes de cerca de 3,2 milhões, principalmente relacionados com o processo de reestruturação incluindo indemnizações por rescisões de contratos de trabalho e penalizações por terminação antecipada de contratos de fornecedores e cerca de 4 milhões de perdas relacionadas com a atividade global do ano” diz o comunicado publicado na CMVM.

A empresa liderada por Duarte d´Orey explica a menos-valia com a venda do banco espanhol. “A posição da Orey no Banco Inversis foi adquirida em 8 de janeiro de 2016 pelo preço global de 21,7 milhões de euros, sendo que a sua venda por 30 milhões de euros em julho de 2016 gerou um retorno positivo global de 8,3 milhões de euros. No entanto, dado que no final de 2015 esta posição estava registada no balanço da Orey pelo montante de 35,2 milhões d”e euros, a sua venda gerou uma menos-valia contabilística não recorrente no exercício de 2016”.

O produto da venda do Banco Inversis foi utilizado principalmente para amortizar a dívida financeira, nomeadamente a linha de crédito de 19,6 milhões de euros que financiou a sua aquisição. “Esta venda teve um impacto estratégico relevante na medida em após a mesma a Orey se deparou com uma estrutura de meios excessivamente dimensionada para o negócio existente, nomeadamente a nível de quadros de pessoal, mas também em termos de operações”, diz a empresa do sector financeiro. “Neste cenário, utilizando a mais-valia gerada com o produto da venda, a Orey implementou um plano de restruturação abrangente com o objetivo de ajustar a sua estrutura operativa à nova realidade e melhorar significativamente o perfil de cash-flow operacional”, diz a empresa.

A Orey Antunes convocou os obrigacionistas para lhes propor converter as obrigações que vencem em 2021 em perpétuas. São 30 milhões que a Orey propõe que deixe de ter prazo de vencimento e que os juros sejam capitalizados até que a empresa tenha disponibilidade financeira para a reembolsar. Essa proposta faz parte do plano de reestruturação em curso. A empresa refere no relatório e contas que “do ponto de vista do balanço, as iniciativas visam a simplificação da estrutura societária, incluindo a redução do número de empresas-veículo e de jurisdições em que a Orey está presente”.

“Adicionalmente, apesar da sua significativa melhoria, o cash-flow operacional gerado não permite ainda fazer face ao serviço da dívida pelo que o Grupo continua exposto à obtenção de financiamento externo. É neste contexto, que foi convocada uma Assembleia Geral de Obrigacionistas Best Of com o objetivo de adequar os termos e condições desta relevante emissão à capacidade de geração de cash-flow e de adequar a sua maturidade à realização dos investimentos na A. Araújo, detidos através do fundo de investimento em direitos creditícios (FIDC) no Brasil, e mantendo em simultâneo o perfil sénior sobre o balanço da SCOA”, explica a companhia.

“No seguimento da venda do Banco Inversis, o balanço da Orey passou a apresentar uma exposição excessiva a ativos não líquidos e de vencimento de longo prazo que não geravam cash-flow recorrente, nomeadamente os ativos brasileiros (distressed assets) e os investimentos em private equity. Do ponto de vista do passivo, o balanço da Orey estava demasiado exposto a instrumentos de curto prazo com custo de financiamento elevado, o que implicava um consumo elevado de caixa recorrente. Tendo em conta este novo contexto, durante 2016 e início de 2017, a Orey implementou um plano de reorganização para reduzir significativamente os custos para reequilibrar os seus resultados operacionais, reposicionar a sua oferta comercial e implementar uma nova estrutura de balanço através da venda de ativos e renegociação dos termos e condições dos seus mais importantes instrumentos de dívida, incluindo obrigações e dívida bancária, com o objetivo de aumentar os prazos de vencimento e reduzir o custo da dívida”, diz a empresa.

“O plano de reorganização abrangeu também outras áreas, nomeadamente o contacto extensivo com os clientes da Orey Financial visando o restabelecimento da relação comercial e um enfoque especial nas iniciativas para rejuvenescer a equipa comercial e aumentar a sua motivação. Considerando que este plano de corte de custos e reorganização está já largamente executado, o enfoque está agora a investir no crescimento orgânico”, diz a companhia liderada por Duarte d´Orey.

A Sociedade Comercial Orey Antunes é uma empresa centenária, incorporada em 1886, que iniciou a sua atividade nos setores industrial, venda de ferro, aço e maquinaria e se estabeleceu como um ator de referência na área de shipping e apoio à navegação e transportes. Mais recentemente a Orey, sob liderança de Duarte d´Orey, foi convertida em sociedade de investimentos, tendo alargado a sua atuação ao sector financeiro, “o qual elegeu como estratégico”, resume o comunicado.


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