[weglot_switcher]

Macron: “brincadeira” sobre migrantes gera revolta nas redes sociais

“As kwassa kwassa servem para trazer comorianos”. Uma piada de Macron, sobre a situação dos migrantes no Mediterrâneo que não terá caído muito bem.
6 Julho 2017, 12h28

O presidente francês arriscou uma piada sobre a situação de migração no Mediterrâneo e parece que não correu tão bem como esperava.

“As kwasa kwasa pescam pouco, servem para trazer comorianos”, esta foi a afirmação de Macron, em tom de brincadeira que não foi bem interpretada por muitos, sendo alvo de uma onda de críticas.

A piada sobre o assunto sério e que tem afetado a Europa surgiu quando Emmanuel Macron falava sobre embarcações com alguns oficiais do Centro Regional de Vigilância e Salvamento da Bretanha. O presidente francês interrompeu um dos oficiais que falava de tapouiles e kwassa-Kwassa para dizer que estas “servem para trazer comorianos”. Uma brincadeira que poderá ter sido mal recebida, gerando uma onda de críticas ao seu comentário.

O presidente ainda tentou amenizar o ambiente, que foi decerto embaraçador, com um comentário mais inocente: “os tapouiles são barcos camaroeiros”.

A situação não foi encarada por muitos com bom ânimo, e as críticas não demoraram a aparecer.

O líder esquerdista, Jean-Luc Mélenchon, considerou o comentário “uma forma de desrespeito pela classe”. Já Pierre Laurent, secretário nacional do partido comunista de França achou “indigno” a afirmação do presidente. Igualmente François Baroin, líder republicano para as legislativas, considerou a piada “preocupante” e “chocante, sobretudo quando se é presidente”.

Os kwassa kwassa são pequenas embarcações precárias da zona de Comores (costa oriental africana), onde vários migrantes africanos fazem a travessia por via de imigração ilegal pelo mar, para chegar a Maiote, um território francês, separados por 70 quilómetros, na qual muitos chegam a perder a vida.

O governo francês reconheceu a infelicidade do comentário feito por Macron, e o próprio caracterizou o comentário como “inaceitável e inapropriado”.

Segundo a agência France-Presse (AFP), ambos os países pretendem “reforçar a cooperação bilateral” e para tal, será realizada uma reunião para abordar “os desafios de segurança e de desenvolvimento” que têm em comum.

Cerca de 7000 a 10 mil migrantes morreram desde 1995 no mar Mediterrâneo na tentativa de atravessá-lo até Maiote.


Copyright © Jornal Económico. Todos os direitos reservados.