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Relatório dos serviços secretos dos EUA é “inconclusivo” quanto à origem da Covid-19 (com áudio)

Acidente de laboratório ou transmitido através de animais são as duas possíveis conclusões sugeridas pela investigação dos serviços secretos encomendada há 90 dias por Joe Biden. Os peritos, apesar de analisarem os dados secretos existentes e procurarem novas pistas, não chegaram a um consenso sobre a origem do vírus.
25 Agosto 2021, 11h18

O relatório encomendado por Joe Biden aos Serviços Secretos dos EUA chegou esta terça-feira à Casa Branca e não trouxe resultados animadores. Ao fim de 90 dias de investigação, os resultados foram inconclusivas quanto às origens da pandemia da Covid-19 uma vez que os investigadores não chegaram a um consenso sobre a origem do vírus, que pode ter sido passado de animal para humano ou o produto de um acidente de laboratório.

De acordo com o “Wall Street Journal” (WSJ), que consultou dois funcionários norte-americanos a falta de informação concreta deve-se, em parte, à escassez de informação detalhada da China. Assim, o documento sublinha a importância de Pequim partilhar os resultados de laboratórios, amostras de genoma ou outro tipo de informação que possa ajudar a discodificar a origem deste vírus que já provocou a morte a mais de quatro milhões de pessoas a nível mundial, adianta a publicação.

“Foi uma investigação profunda, mas só podemos ir tão fundo quanto a situação o permitir”, explicou uma fonte próxima da investigação ao (WSJ). “Se a China não der acesso a determinadas informações, nunca vamos realmente saber”.

Tal como os Estados Unidos, também a Organização Mundial de Saúde (OMS) lançou um apelo para que a China colaborasse na investigação da origem do vírus — um apelo que foi respondido por resistência por parte de Pequim. De acordo com um documento interno a que o “The Guardian” teve acesso, a OMS afirma que a China “pouco” fez para saber origens do coronavírus. Datado a 10 de agosto de 2020, o documento informa que a equipa da OMS que se encontrou com investigadores chineses no ano passado, numa missão para tentar descobrir as origens do vírus, recebeu poucas novidades e não pôde contar com qualquer documento escrito ou relatório de análise à situação epidemiológica no país durante aquele período.

Biden anunciou a investigação em Maio, depois de um relatório dos serviços secretos norte-americanos ter descoberto que vários investigadores do Instituto Wuhan de Virologia, no centro da China, adoeceram em novembro de 2019 e tiveram de ser hospitalizados, informou na altura o “WSJ”.

Em fevereiro, a administração norte-americana mostrou-se insatisfeita com os resultados preliminares de investigações, realizadas no início deste ano, por peritos internacionais em Wuhan para procurar a possível origem da pandemia, e consideraram que as autoridades chinesas tinham retido dados dessa missão da OMS.

Os peritos indicaram então, após quatro semanas de trabalho na China, que a hipótese mais provável para a origem do novo coronavírus era que este tinha sido transmitido ao homem a partir de animais selvagens através de uma ou mais espécies intermediárias. Contudo, a oposição republicana, liderada pelo ex-Presidente Donald Trump (2017-2021), defendeu que a covid-19 foi gerada num laboratório chinês.


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