O relatório encomendado por Joe Biden aos Serviços Secretos dos EUA chegou esta terça-feira à Casa Branca e não trouxe resultados animadores. Ao fim de 90 dias de investigação, os resultados foram inconclusivas quanto às origens da pandemia da Covid-19 uma vez que os investigadores não chegaram a um consenso sobre a origem do vírus, que pode ter sido passado de animal para humano ou o produto de um acidente de laboratório.
De acordo com o “Wall Street Journal” (WSJ), que consultou dois funcionários norte-americanos a falta de informação concreta deve-se, em parte, à escassez de informação detalhada da China. Assim, o documento sublinha a importância de Pequim partilhar os resultados de laboratórios, amostras de genoma ou outro tipo de informação que possa ajudar a discodificar a origem deste vírus que já provocou a morte a mais de quatro milhões de pessoas a nível mundial, adianta a publicação.
“Foi uma investigação profunda, mas só podemos ir tão fundo quanto a situação o permitir”, explicou uma fonte próxima da investigação ao (WSJ). “Se a China não der acesso a determinadas informações, nunca vamos realmente saber”.
Tal como os Estados Unidos, também a Organização Mundial de Saúde (OMS) lançou um apelo para que a China colaborasse na investigação da origem do vírus — um apelo que foi respondido por resistência por parte de Pequim. De acordo com um documento interno a que o “The Guardian” teve acesso, a OMS afirma que a China “pouco” fez para saber origens do coronavírus. Datado a 10 de agosto de 2020, o documento informa que a equipa da OMS que se encontrou com investigadores chineses no ano passado, numa missão para tentar descobrir as origens do vírus, recebeu poucas novidades e não pôde contar com qualquer documento escrito ou relatório de análise à situação epidemiológica no país durante aquele período.
Biden anunciou a investigação em Maio, depois de um relatório dos serviços secretos norte-americanos ter descoberto que vários investigadores do Instituto Wuhan de Virologia, no centro da China, adoeceram em novembro de 2019 e tiveram de ser hospitalizados, informou na altura o “WSJ”.
Em fevereiro, a administração norte-americana mostrou-se insatisfeita com os resultados preliminares de investigações, realizadas no início deste ano, por peritos internacionais em Wuhan para procurar a possível origem da pandemia, e consideraram que as autoridades chinesas tinham retido dados dessa missão da OMS.
Os peritos indicaram então, após quatro semanas de trabalho na China, que a hipótese mais provável para a origem do novo coronavírus era que este tinha sido transmitido ao homem a partir de animais selvagens através de uma ou mais espécies intermediárias. Contudo, a oposição republicana, liderada pelo ex-Presidente Donald Trump (2017-2021), defendeu que a covid-19 foi gerada num laboratório chinês.
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