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A reconstrução do orgulho ferido de Nova Iorque pelo homem que arrendou as torres antes do atentado

Larry Silverstein é o símbolo do mercado imobiliários dos dias mais sombrios que Nova Iorque já viveu, e o homem que teve a coragem de ver a luz ao fundo do túnel quando nem o fumo dos destroços o permitia.
11 Setembro 2021, 15h00

Tinha 70 anos quando teve o que apelida como o “pior dia da minha vida”. Juntamente com o mundo, Larry Silverstein viu o seu investimento de vida cair sem conseguir fazer nada pelas 8 horas e 45 minutos da manhã no dia 11 de setembro de 2001.

Seis semanas antes dos ataques às Torres Gémeas, o empreendedor assinou um contrato de arrendamento dos dois edifícios por 3,2 mil milhões de dólares (2,22 mil milhões de euros em 2001 e 2,71 mil milhões de euros à data de hoje) durante um período de 99 anos, e nunca pensou que um desastre como que o ceifou milhares de vidas pudesse ser possível nos Estados Unidos.

Com um contrato em mãos de algo que já não existia, apenas um local repleto de ruídas dos 220 (110 de cada torre) andares caídos como um dominó, o empreendedor é hoje o rosto de um homem que acreditou na reconstrução do Ground Zero, sítio de magoa para muitos americanos. Larry Silverstein é o símbolo do mercado imobiliários dos dias mais sombrios que Nova Iorque já viveu, e o homem que teve a coragem de ver a luz ao fundo do túnel quando nem o fumo dos destroços o permitia.

O magnata imobiliário é hoje um dos elos de ligação aos World Trade Centers de 2001 e 2021, e o responsável pela reconstrução do mesmo. Para construir o novo World Trade Center, Silverstein passou cinco anos em litígio com 22 seguradoras e conversou, ao longo dos últimos 20 anos, com vários governadores e presidentes da Câmara, onde cada interveniente tinha as suas próprias ideias para o projeto.

Enquanto a reconstrução sempre foi o projeto em mente, o empreendedor lidou ainda com as dúvidas persistentes da imprensa sensacionalista e o desespero de famílias que perderam os entes queridos nos atentados às Torres Gémeas. “As reuniões foram horríveis. Simplesmente terríveis. As pessoas perderam entes queridos. O que é que se faz? Foi um conjunto de circunstâncias muito difíceis. E isso continuou por meses a fio”, considera Silverstein em todas as entrevistas dos últimos anos.

“Tornou-se óbvio para mim, desde cedo, que precisávamos de reconstruir, e o mais rapidamente possível porque o World Trade Center tinha sido a locomotiva para a atividade empresarial em baixa de Nova Iorque”. O edifício 7 World Trade Center foi inaugurado a 23 de maio de 2006, marcando um significado de esperança para Nova Iorque.

Em 2011, volvidos dez anos dos ataques, foi finalmente inaugurado o World Trade Center Site Memorial. A reconstrução do local onde outrora viviam duas imponentes construções de ferro e vidros deu o lugar a várias cascatas de água rodeadas por um total de 2.983 vítimas que perderam a vida diretamente na queda das torres, onde muitos nova-iorquinos ainda têm dificuldades em aproximar-se.

Fumihiko Maki, Larry Silverstein, Norman Foster, and Richard Rogers (esquerda para direita) | Joe Woolhead (Silverstein Properties)

Reconstrução de uma Lower Manhattan ferida

Com os ataques, o orgulho de Nova Iorque ficou ferido e ainda teima em sarar, mesmo com a nova construção que tem mais vida. Em substituição das Torres Gémeas, o Centro Mundial do Comércio em Lower Manhattan conta com cinco prédios, um centro de transportes, o memorial e o museu 9/11 e o centro de artes performativas Ronald O. Perelman, ainda inacabado. Os edifícios foram inaugurados entre 2006 e 2018, mas dois ainda estão por terminar, nomeadamente os números dois e cinco do World Trade Center.

Grande parte dos aplausos para a reconstrução de Lower Manhattan vão diretamente para Michael Bloomberg, que assumiu a presidência da Câmara de Nova Iorque algumas semanas após os ataques, tendo colocado mãos às obras quando a cidade ainda estava coberta e cinza e destroços dos prédios.

Bloomberg entendeu que o centro não podia ser reconstruído da forma como estava anteriormente: centro único de comércio da cidade. De acordo com o “Financial Times”, foi o antigo mayor que investiu na construção de parques na zona, um investimento significativo que pretendia tornar o centro mais regrado após o espaço ter ficado vazio, ainda que a construção de escolas tenha sido negada, bem como os edifícios de habitação.

“A transformação da parte baixa de Manhattan foi um dos grandes legados de Bloomberg”, sustenta um professor de estudos urbanos da Universidade de Nova Iorque à publicação. “A recuperação da baixa deve-se muito à sua visão”, considera.


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