Portugal voltou esta quarta-feira aos mercados, conseguindo taxas de juro mais baixas do que no último leilão comparável. A Agência de Gestão e Tesouraria da Dívida Pública (IGCP) conseguiu colocar 292 milhões de euros em bilhetes do Tesouro a três meses a -0,61% e 958 milhões de euros a onze meses com uma taxa de -0,555%.
No último leilão com maturidades semelhantes, realizado a junho do ano passado, o país havia registado taxas de -0,592% a três meses e de -0,55% a onze meses. Assim, verifica-se que estas baixaram na mais recente ida do país aos mercados, acalmando preocupações quanto a uma possível subida das yields soberanas, como se havia verificado no leilão de maturidades mais longas realizado na semana anterior.
“Apesar de termos vindo a assistir, nas últimas semanas, a uma subida do prémio de risco da dívida soberana europeia e, por conseguinte, na dívida nacional, tal movimento ainda não se reflete nas dívidas de curto prazo, onde as taxas ainda permanecem negativas”, realça Filipe Silva, diretor de gestão de ativos do Banco Carregosa.
Esta descida ocorreu apesar da pressão que tem vindo a causar a inflação, que levou já os bancos centrais de outras economias a subirem taxas de juro ou a sinalizar uma subida desta natureza para breve, algo que não se verifica no bloco da moeda única.
“Apesar de se esperarem no futuro taxas de juro mais elevadas, o mercado continua a acreditar que o movimento deverá ser gradual, sendo que é esse o fator que faz com que ainda não estejamos a ver o mesmo movimento na dívida de curto prazo”, continua Filipe Silva.
Esta descida reflete ainda um movimento que a generalidade dos analistas considera temporário, com as taxas de juro das dívidas europeias a recuarem depois do alívio da tensão geopolítica na Ucrânia. Ainda assim, a tendência subjacente continua a ser de subida, argumenta a análise do banco ING.
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