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NATO garante que vai continuar a ajudar Kiev, mas insiste que “não faz parte do conflito”

“É provável que o cenário venha a piorar”, disse o secretário-geral da NATO, à margem da reunião de emergência convocada para esta manhã. Naquele que é o nono dia desde a invasão russa da Ucrânia e perante a aproximação de uma longa coluna militar a Kiev, Stoltenberg recordou que a NATO tinha vindo a avisar, há vários meses, que “Putin tinha intenção de invadir a Ucrânia”.
‘@BelgiumNATO/Twitter
4 Março 2022, 14h54

Os ministros dos Negócios Estrangeiros da NATO reuniram-se esta manhã de emergência em Bruxelas para discutirem a resposta imediata à crise na Ucrânia, espoletada pela ofensiva russa em curso desde a madrugada de 24 de fevereiro, quando o Kremlin ordenou a entrada das forças russas em território ucraniano.

À margem do encontro extraordinário, o secretário-geral da NATO foi claro quanto à escalada do conflito e ao agravamento da situação no terreno.

“É provável que o cenário venha a piorar. Mais sofrimento e mais destruição à medida que as forças armadas russas usam artilharia mais pesada e continuam os ataques em todo o país”, disse Jens Stoltenberg no início da conferência de imprensa, a partir do quartel-general da Aliança.

O ministro dos Negócios Estrangeiro da Ucrânia, Dmytro Kuleba, que participou na reunião por videoconferência, fez um balanço da situação no terreno, tendo recebido dos seus homólogos uma nova mensagem de solidariedade e respeito pelo povo ucraniano.

Naquele que é o nono dia desde a invasão russa da Ucrânia e perante a aproximação de uma longa coluna militar a Kiev, Stoltenberg recordou que a NATO tinha vindo a avisar, há vários meses, que “Putin tinha intenção de invadir a Ucrânia”.

“É a guerra do presidente Putin. A guerra que escolheu, planeou e almejou”, disse Stoltenberg, reiterando o apelo que tem vindo a ser feito pelo Ocidente para que recue e “retire todas as suas forças da Ucrânia de forma incondicional e que se envolva numa genuína diplomacia”.

O secretário-geral da NATO abordou a vertente de apoio à Ucrânia para sustentar o direito de autodefesa previsto na Carta das Nações Unidas.

“Temos um conjunto de forças dissuasoras no mar, ar e terra. A América do Norte enviou milhares de tropas para o leste”, avançou, acrescentando que foram ainda destacas mais de 200 forças para o Mediterrâneo.

Perante apelos para uma ajuda mais direta da parte dos Aliados, Stoltenberg sublinhou que a “NATO é uma aliança defensiva”.

“Pretendemos manter as nossas 30 nações a salvo, mas não fazemos parte deste conflito” que poderá estender-se durante vários anos, no entender do antigo primeiro-ministro norueguês.

“Há bastante em jogo. Temos de optar pela democracia ou ditadura. A relação com a Rússia vai mudar a longo prazo, mas estamos empenhados em dar oportunidade à diplomacia para impedir a escalada crescente e não desejada”, defendeu.

“Ha uma lição que podemos tirar desta crise. A Europa e os EUA têm de estar unidos em toda uma solidariedade estratégica. Nenhum [país] pode agir sozinho. Putin falhou em dividir-nos. A NATO esta mais unida e forte do que nunca”, sublinhou.

A Suécia e Finlândia fizeram-se representar na reunião ministerial e reforçaram a sua intenção de aderir à NATO, estando ambos já em consultas para o processo, de acordo com o SG da Aliança.

A guerra na Ucrânia está hoje na mesa de conversações de várias reuniões extraordinárias em formatos alargados.

Os ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia (UE) vão reunir-se esta tarde em Bruxelas numa reunião extraordinária.

Os chefes de diplomacia dos 27 reúnem-se naquele que é o quinto Conselho extraordinário de ministros dos Negócios Estrangeiros da UE em pouco mais de uma semana, a partir das 15:40 locais (14:40 de Lisboa).

O Conselho de Segurança das Nações Unidas vai reunir-se também esta sexta-feira, na sequência dos bombardeamentos das forças russas à maior central nuclear na Ucrânia.


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