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China elogia laços com a Rússia, afirma que vai fornecer ajuda humanitária à Ucrânia e oferece-se para mediar conflito

“Resolver problemas complexos requer calma e racionalidade, em vez de atirar lenha para a fogueira e intensificar as contradições”, disse o ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Yi.
7 Março 2022, 10h52

O ministro dos Negócios Estrangeiros da China, Wang Yi, voltou a sublinhar a amizade “sólida” com a Rússia esta segunda-feira, 7 de março, no mesmo dia que confirmou que a Cruz Vermelha da China vai fornecer ajuda humanitária à Ucrânia “o mais rápido possível”. Adicionalmente, Pequim afirma ter vontade e disponibilidade para “mediar” o conflito no leste europeu, avança a “Reuters”.

A China recusou-se, já por várias ocasiões, a condenar o ataque da Rússia à Ucrânia ou, até, apelidá-lo de invasão. Em vez disso, Pequim urge os países ocidentais a respeitarem as “legítimas preocupações de segurança” de Moscovo. Wang disse que a causa da “situação na Ucrânia” é “complexa” e não aconteceu “da noite para o dia”, observando, através de uma expressão tradicional chinesa, que “um metro de gelo não se forma num dia”.

“Resolver problemas complexos requer calma e racionalidade, em vez de atirar lenha para a fogueira e intensificar as contradições”, disse o ministro dos Negócios Estrangeiros numa conferência de imprensa à margem da reunião anual do parlamento chinês.

A China afirma já ter feito “algum trabalho” para promover as negociações de paz e sublinha que esteve sempre em contacto com todos os lados. “A China está disposta a continuar a desempenhar um papel construtivo na promoção da paz e na promoção de negociações, e está disposta a trabalhar com a comunidade internacional para realizar a mediação necessária quando necessário.”

Pequim revela a vontade de resolver o conflito pela via diplomática, mantendo os seus próprios esforços para encerrar a crise humanitária e utilizar a Cruz Vermelha do país “o mais rápido possível” para fornecer ajuda à Ucrânia, disse Wang, sem adiantar detalhes. Ainda assim, foi a primeira vez que o país anunciou tal ajuda.

A China propõe que a “ação humanitária” obedeça aos princípios de neutralidade e imparcialidade, e reforça que as questões humanitárias “não devem ser politizadas”.

O presidente russo, Vladimir Putin, encontrou-se com o homólogo chinês Xi Jinping horas antes do início dos Jogos Olímpicos de Inverno do mês passado em Pequim, onde ambos assinaram uma ampla parceria estratégica destinada a combater a influência dos EUA, afirmando que não teriam “áreas proibidas de cooperação”.

Wang disse que a amizade entre a China e a Rússia é “sólida” e que as perspetivas de cooperação são “brilhantes”.

“Não importa quão sinistra seja a situação internacional, tanto a China quanto a Rússia manterão a sua determinação estratégica e impulsionarão continuamente a parceria estratégica abrangente de coordenação na nova era”.


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