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Portugal e Espanha podem “dar contributo extraordinário” no abastecimento de gás à Europa, defende Costa

“É impossível ignorar a realidade”, referiu António Costa defendendo o papel que a Península Ibérica pode ter no abastecimento de gás à Europa, isto depois da Comissão Europeia ter anunciado um plano para reduzir em dois terços, até ao final deste ano, a dependência da energia russa.
Audiovisual da União Europeia
10 Março 2022, 16h51

Na sequência do agravamento do conflito entre a Ucrânia e a Rússia, e as respetivas sanções aplicadas como resposta por parte do Ocidente, António Costa afirma ser “impossível ignorar a realidade” quanto ao papel que a Península Ibérica pode vir a representar relativamente ao fornecimento de energia à Europa.

Em conversa com os jornalistas, esta quinta-feira, à margem do encontro dos 27 chefes dos Estados-membros, em Versalhes, o primeiro-ministro voltou a salientar que “Portugal e Espanha” são países que podem “dar um contributo extraordinário” em termos de abastecimento de gás à Europa, quer pela capacidade de produzir energia renovável, quer pela proximidade geográfica” com fontes de gás natural em África ou nos Estados Unidos e até pela “capacidade aeroportuária” de receber essas importações. Isto numa altura em que a Comissão Europeia anunciou um plano para reduzir em dois terços, até ao final deste ano, a dependência da energia russa. Um quarto do petróleo e cerca de 40% do gás importados pela União Europeia e pelo Reino Unido chegam da Rússia.

“É impossível ignorar a realidade”, referiu. “A comunicação sobre a energia que a Comissão [Europeia] apresentou, afirma expressamente a urgência na interconexão entre Portugal e Espanha com França para o abastecimento com o resto da Europa”, explicou.

Questionado sobre de Lisboa e Madrid se encontram alinhados nesta estratégia, António Costa garante que “tem havido uma coordenação entre os dois países e neste momento [esse] é o plano”, relembrando que “houve uma altura em que Espanha  só insistia na interconexão para fornecimento de hidrogénio verde” mas que Portugal sempre defendeu o transporte de gás natural, também, devido às condições favoráveis a nível da infraestrutura de transporte (pipeline).

A guerra na Ucrânia levou aos Estados Unidos e ao Reino Unido a anunciar o corte na importação de gás natural da Rússia e a várias multinacionais a encerrar ou suspender operações no país. No caso de Portugal, a exposição ao gás russo é relativamente reduzida, embora tenha crescido nos últimos três anos. Portugal continua a ter na Nigéria a sua maior fonte de gás natural, que chega por navio.


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