A ex-deputada do PSD na Assembleia da República, eleita pelo círculo da Madeira, Rubina Berardo, recebeu a Medalha de Gratidão da Arménia pelo Governo arménio, em sequência da aprovação, na Assembleia da República em 2019, de um voto de pesar que reconheceu o genocídio arménio no Império Otomano entre 1915 e 1923, do qual a deputada subscreveu.
“Os parlamentos desempenham um papel único para o avanço das agendas bilaterais políticas, económicas e culturais. Os legisladores de ambos lados podem criar plataformas eficazes e alternativas para os intercâmbios e avançar assim as relações bilaterais”, frisou o Embaixador da Arménia Garen Nazarian numa audiência concedida pelo presidente da Assembleia Legislativa da Madeira, José Manuel Rodrigues, decorrida na quarta-feira, dia 23 de março
Garen Nazarian, que representou o Governo da Arménia na sessão, enalteceu ainda a “coragem” da deputada Rubina Berardo durante o seu mantado na Assembleia da República entre 2015 e 2019 pela sua “posição de princípio em relação a matérias de direitos humanos”, que levou ao reconhecimento do genocídio da Arménia no Parlamento português.
“Estamos convictos que ao respeitar a memória das vítimas do crime horrendo perpetrado contra a nação e o povo arménio no Império Otomano entre 1915 e 1923, estamos a dar um contributo à reconciliação entre os povos, para o estabelecimento de boas relações de vizinhança, bem como para a proteção de direitos fundamentais”, afirmou o embaixador, concluindo que foi com “enorme prazer e uma enorme honra” que atribuiu a medalha à deputada social-democrata, “em apreço pelo seu papel na promoção das relações de amizade com a Arménia e contribuindo para a proteção dos valores universais”.
Por seu turno, a deputada condecorada afirmou que “é com sentimento de enorme gratidão de humildade e honra que recebo ante vós, na «casa da democracia madeirense», das mãos do senhor Embaixador, esta medalha da República da Arménia”.
Rubina Berardo acrescentou que, apesar da distância entre a Arménia e Portugal, “existem muitos laços entre os nossos países e os nossos povos. Defender os direitos fundamentais de povos do outro lado da Eurásia e lembrar aqueles que barbaramente morreram no genocídio arménio significa, também, defender os valores universais de direitos humanos na nossa vizinhança, ainda para mais num mundo globalizado em ebulição”.
A deputada social-democrata considerou que a aprovação do voto, por maioria, que reconheceu o genocídio arménio no Parlamento português, demonstrou que o sistema partidário soube “praticar a cultura da memória. Sem memória histórica o mundo torna-se mais perigoso e somos testemunha disso, hoje em dia”.
Por fim, foi a vez do presidente da Assembleia da Madeira, José Manuel Rodrigues, prestar homenagem ao trabalho da deputada Rubina Leal.
“O que nos traz hoje aqui, a esta cerimónia, permite-nos pensar na atualidade e na necessidade de todos termos presente a necessidade de cuidar das nossas democracias, para que mais robustamente resistam aos fenómenos, sempre atuais, dos nacionalismos exacerbados, rechaçando a xenofobia e todas as formas de violência e discriminação”, considerou.
“Os tempos de guerra que vivemos, no coração da Europa, com repercussões em todo o mundo, interpela-nos e convoca-nos para trabalhar em nome da reconciliação, da paz e do desenvolvimento”, destacando que “face a esses fenómenos existirão sempre homens e mulheres que estiveram, estão e estarão na linha da frente da defesa dos direitos humanos e fomentando a ‘cultura da memória’, absolutamente necessária à manutenção dos valores da nossa civilização”, rematou José Manuel Rodrigues, afirmando que a posição de “coragem” de Rubina Berardo nesta matéria “honra” a Assembleia da Madeira.
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