O líder do Chega, André Ventura, dirigiu esta sexta-feira uma intervenção de protesto dirigida ao Presidente da Assembleia da República, Augusto Santos Silva, por este o ter interrompido enquanto criticava a comunidade cigana.
“Não tenho memória de um deputado eleito pelo povo português, tão deputado como todos os que aqui estão, ser interrompido pelo Presidente da Assembleia da República em relação ao conteúdo da sua intervenção. Seguramente que desde o 25 de abril que não se via um tamanho ato de censura sobre um partido”, atirou Ventura no hemiciclo depois de ver a sua moção de rejeição ao Programa do Governo rejeitada.
Durante os trabalhos, Ventura acusava a comunidade cigana de inúmeros crimes e de não cumprir com os seus deveres na sociedade quando foi interrompido por Santos Silva, que disse perentoriamente que “não há atribuições coletivas de culpa em Portugal”. Esta afirmação seguiu-se de um forte aplauso de todo o hemiciclo à exceção da bancada do Chega, com a esquerda e alguns deputados numa ovação de pé, que deixaram o líder do partido de extrema-direita visivelmente aborrecido.
Perante a intervenção de protesto de Ventura, Santos Silva disse que, segundo o Regimento do Parlamento, “o orador é advertido pelo presidente quando se desvia do tema em discussão ou quando o discurso se torna injurioso ou ofensivo, podendo retirar-lhe a palavra”, limitando-se a cumprir as funções que lhe cabem. Ventura, que acenou negativamente em sinal de rejeição, recebeu o aviso de que o socialista o fará sempre que for necessário.
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