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Marques Mendes considera OE2022 o “orçamento do imposto escondido” (com áudio)

Marques Mendes enumerou quatro aspetos negativos neste OE: a perda de poder de compra por parte dos funcionários públicos, e por parte dos pensionistas, face à taxa de inflação prevista para 4% este ano, o que resulta numa perda de 0,9% no poder de compra, o “agravamento fiscal em alguns setores da população”, e a não atualização dos escalões do IRS face à pressão da inflação. Na linha com o que considera ter acontecido com outros Orçamentos do Estado, o comentador critica a “falta de ímpeto reformista” neste novo OE.
17 Abril 2022, 21h53

Luís Marques Mendes considera que o Orçamento de Estado para 2022 (OE2022) está fortemente marcado pela inflação, e consequente falta de poder de compra “em muitos setores da população”. Por esta razão, afirma que este é “um orçamento do imposto escondido”.

No seu habitual espaço no Jornal da Noite, na Sic, Luís Marques Mendes destacou, este domingo, dia 17 de abril, cinco aspetos positivos e quatro aspetos negativos que considerou serem mais evidentes neste novo OE.

No que diz respeito aos aspetos positivos, Luís Marques Mendes destacou as medidas sociais, que já vinham do orçamento chumbado, tais como o aumento extraordinário de pensões, e as creches gratuitas. A redução do défice “é também uma medida positiva”, bem como a redução da dívida em percentagem do PIB, medida “a saudar”, afirmou. O comentador elogiou também as medidas para compensar subida dos preços, e finalmente, o fim do imposto sobre os lucros extraordinários, que caiu neste novo OE.

Quanto aos aspetos negativos, Marques Mendes enumerou quatro: a perda de poder de compra por parte dos funcionários públicos, e por parte dos pensionistas, face à taxa de inflação prevista para 4% este ano, o que resulta numa perda de 0,9% no poder de compra. Marques Mendes criticou também o “agravamento fiscal em alguns setores da população”, e a não atualização dos escalões do IRS face à pressão da inflação.

Na linha com o que considera ter acontecido com outros Orçamentos do Estado, Marques Mendes critica a “falta de ímpeto reformista” neste novo OE, afirmando que “não tem propriamente reformas”, algo que é a “imagem de marca do governo anterior”, acusou.

Marques Mendes destacou três questões políticas centrais neste OE: o discurso do novo ministro das Finanças Fernando Medina, que “carregou muito na ideia de ‘contas certas’, redução do défice, e consolidação orçamental”, aspetos que subscreve, mas considera “exagero” quando Medina diz que a política de ‘contas certas’ é uma política de esquerda: “não, é simplesmente uma política correta e responsável”. Neste âmbito, o PS está mais aberto para falar na redução do défice porque já não há Geringonça, considera.

Em segundo lugar, este é o primeiro OE de António Costa em que há perda de rendimentos em vários sectores da sociedade. “Este é o primeiro OE que reduz o poder de compra”, devido à pressão desta inflação. “Chame-se austeridade ou contenção, claro que esta é uma novidade do OE. Falta saber como é que o Governo aguenta esta pressão”, disse.

Marques Mendes considera ainda que este OE é um bónus para a oposição, em particular para o PCP e a CGTP: “Dá-lhes uma boa oportunidade de irem para a rua contestar e reivindicar. O PCP e a CGTP podem começar a recuperar na rua o que perderam nas eleições e no discurso sobre a guerra”, concluiu.

 

 

 

 


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