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Cimeira das Américas: EUA Kamala Harris anuncia fundo de cooperação de 1,9 mil milhões

O plano anunciado pela vice-presidente Kamala Harris tem um forte contributo de empresas privadas norte-americanas e pretende desenvolver as economias locais, despromovendo assim a necessidade de imigração.
7 Junho 2022, 18h00

A vice-presidente dos Estados Unidos, Kamala Harris, anunciou o mais recente esforço para conter a imigração ilegal da América Central: são 1,9 mil milhões de dólares (cerca de 1.78 mil milhões de euros) em financiamento do sector privado para aumentar as oportunidades de emprego. O financiamento anunciado esta terça-feira por dez empresas soma 1,2 mil milhões de dólares que Kamala Harris garantiu no ano passado no sector privado.

A vice-presidente assume um papel relevante na Cimeira das Américas, realizada em Los Angeles, no seu Estado natal da Califórnia, ao dar a cara por um esforço mais amplo dos Estados Unidos para promover o que chama uma abordagem mais cooperante com os países latino-americanos.

Kamala Harris disse em comunicado que os novos compromissos ajudarão a criar dezenas de milhares de empregos em El Salvador, Guatemala e Honduras, ao mesmo tempo que induzirão o combate à violência de género e o apoio aos jovens por via do chamado Corpo de Serviço da América Central.

Os investimentos visam “dar esperança para que as pessoas da região construam vidas seguras e prósperas em casa”, diz o comunicado.

Mas os trabalhos da cimeira estão minados pelo boicote anunciado pelo presidente mexicano, Andrés Manuel López Obrador, por causa da exclusão de Cuba, Nicarágua e Venezuela, que os Estados Unidos não convidaram para estar presentes, dizem que por praticarem abusos dos direitos humanos e por falta de democracia.

Além do México, nenhum dos líderes do chamado Triângulo Norte, uma região de enorme pobreza que inclui El Salvador, Guatemala e Honduras, deverá participar na cimeira, com reuniões ao nível dos líderes políticos programadas para esta quarta-feira.

A Casa Branca ignorou o boicote de López Obrador, cujo país partilha uma fronteira de 3.200 km com os Estados Unidos, o que o torna no parceiro crucial de Washington quanto à política de imigração.

A secretária de imprensa da Casa Branca, Karine Jean-Pierre, disse que “não acreditamos que ditadores devam ser convidados” e acrescentou que Biden, que estará na cimeira na quarta-feira, anunciará várias decisões importante. Mas a cimeira perdeu a sua relevância, dizem os críticos.

Por seu turno, o porta-voz do Departamento de Estado, Ned Price, disse que a ausência de López Obrador não impedirá a renovação de esforços para promover a cooperação, observando que o México enviará o ministro dos Negócios Estrangeiros, Marcelo Ebrard.

A Casa Branca disse que 23 chefes de Estado participarão na cimeira, incluindo os líderes da Argentina, Brasil, Chile e Colômbia, mais que os 17 que participaram na cimeira de 2018, que o ex-presidente Donald Trump ignorou.


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