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União Europeia assina acordo de fornecimento de gás com Israel e Egipto

O acordo tripartido permitirá pela primeira vez exportações ‘significativas’ de gás israelita para a Europa. A União não diminui em nada a sua dependência, mas substitui gás vindo da Rússia. Entretanto, o gasoduto EastMed continua ‘encalhado’.
15 Junho 2022, 16h10

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, o ministro egípcio do Petróleo Tarek El-Molla, e a ministra israelita da Energia Karine Elharrar, assinaram um acordo para aumentar as exportações de gás do Mediterrâneo Oriental para a Europa. Um “acordo histórico”, disse o lado europeu, que permitirá substituir parte da remessa de gás oriunda da Rússia.

O acordo, concluído esta quarta-feira na conferência regional de energia do Mediterrâneo Oriental (no Cairo), permitirá pela primeira vez exportações “significativas” de gás israelita para a Europa, salientou o Ministério da Energia de Israel.

No ano passado, a União importou cerca de 40% do gás à Rússia, mas desde a invasão da Ucrânia ficou claro que o fornecimento está a financiar o esforço de guerra e teria de ser substituído.

A assinatura do memorando no Cairo não esconde, contudo, os potencias problemas que a questão encerra. Desde logo, o Líbano considera que uma parte da explotação de gás em Israel é feita em águas que os libaneses consideram suas. O assunto, que tem décadas de negociações – entre dois países que não têm relações diplomáticas entre si – deverá ser mediado pelos Estados Unidos, mas está longe de estar resolvido.

Há depois a questão da Turquia e da sua vontade de fazer parte da solução do gás para a Europa. Turquia e Grécia têm tido uma acesa disputa em relação às águas territoriais de cada um dos países e não a resolveram ainda. No limite, dizem algumas fontes, se a questão estivesse resolvida, talvez a União passasse a ter produção própria de gás numa proporção que iria diminuir a necessidade de importação.

A presidente da Comissão Europeia enfatizou que o memorando de entendimento aumentaria a “independência” do bloco europeu, mas é difícil entender as suas declarações: o que acontece é que a Europa está a substituir fornecedores – e, ao fazê-lo, e salvo se encontrar um fornecedor entre os 27, mantém a dependência que tinha até agora.

Segundo a imprensa internacional, o gás israelita será levado por um gasoduto para um terminal de gás natural liquefeito (GNL) na costa mediterrânica egípcia, onde será transportado para navios-tanque.

Em 2020, Grécia, Israel e Chipre assinaram um acordo para construir um gasoduto submarino para transportar gás de novos depósitos offshore no sudeste do Mediterrâneo para a Europa continental. O chamado EastMed, com um orçamento próximo dos seis mil milhões de euros, iria satisfazer cerca de 10% das necessidades de gás natural da União, numa altura em que a pressão da guerra na Ucrânia ainda não existia, nem ninguém na Europa esperava que viesse a existir.

Na altura, Israel disse que o EastMed levaria até sete anos para ser construído, mas o certo é que os trabalhos ainda nem sequer começaram e a União ainda está a realizar avaliações preliminares e estimativas de custos. Em abril, passado, como o JE deu conta na altura, os Estados Unidos, na qualidade de possível fonte de financiamento, disseram que o gasoduto era economicamente inviável e desinteressaram-se do problema. Essa posição foi contemporânea de uma viagem de Biden à Europa, durante a qual assegurou que o gás produzido nos Estados Unidos seria suficiente para satisfazer uma parte das necessidades europeias.

Israel emergiu como exportador de gás nos últimos anos após ter feito grandes descobertas offshore. Neste momento, possui dois grandes campos de gás ao largo de costa, com uma estimativa de 690 mil milhões de metros cúbicos de gás natural e continua a explorar novas localizações.

Entretanto, o fundo soberano criado por Israel para acomodar os lucros da extração de gás offshore anunciou que não investirá em empresas de petróleo e gás, segundo adianta a imprensa israelita. O conselho do Fundo de Cidadãos de Israel decidiu “evitar investimentos diretos” em empresas envolvidas na extração e produção de petróleo ou gás, disse Yarom Ariav, um dos seus responsáveis, ao comité do Knesset (parlamento) que supervisiona o fundo. Ariv disse que o fundo vale atualmente cerca de 350 milhões de dólares.

O fundo foi criado em 2014, após a descoberta de gás natural, mas só começou a operar no passado dia 1 de junho – muito depois das previsões iniciais, segundo a imprensa. Até que a estratégia de investimento de longo prazo seja elaborada, o comité adotará uma abordagem conservadora em relação aos investimento a realizar, com prioridade para ações negociadas na Europa e nos Estados Unidos, disse Ariav.


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