Rachel Keke, uma empregada de hotel da Costa do Marfim que vive em França desde 2000, foi eleita para o parlamento francês no domingo depois de se ter tornado líder de um movimento para defender os direitos das camareiras em 2019.
Segundo o “Le Monde”, Keke venceu no 7º distrito do departamento de Val-de-Marne, nos arredores de Paris, com 50,3% dos votos. Apoiada pelo Novo Sindicato Popular Ambiental e Social (NUPES), de esquerda, derrotou aquela que foi a ministra do Desporto entre 2020 e 2022, Roxana Maracineanu, que arrecadou 49,7% dos votos.
Keke colocou ênfase em convencer os abstencionistas a comparecer às urnas, enquanto Maracineanu pediu para formar uma “frente republicana contra a extrema esquerda”.
Já depois de vencer a primeira volta, Keke tinha dito que a sua eleição “foi uma surpresa” e que “seria histórico” chegar à Assembleia Nacional.
Camareira de profissão, foi uma das protagonistas da greve dos empregados de limpeza do hotel Ibis Batignolles, em Paris. Vinte trabalhadores contratados como subempreiteiros pediram para integrar a equipa do hotel e denunciaram as condições de trabalho que consideravam indignas. Após 22 meses de ativismo, conseguiram obter melhores condições de trabalho em maio de 2021.
Ao candidatar-se pela primeira vez, a representante sindical mostrou o seu desejo de levar a luta à Assembleia Nacional, defendendo uma melhor representação da sociedade francesa. Nascida na Costa do Marfim, Keke chegou a território francês aos 26 anos, após o golpe militar que derrubou Henri Konan Bédié. Naturalizada como cidadã francesa em 2015, começou a trabalhar como cabeleireira, camareira e depois governanta.
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