As negociações indiretas entre o Irão e os Estados Unidos sobre o Acordo Nuclear de 2015 terminaram no Catar sem que o impasse tivesse sido ultrapassado, informou uma agência de notícias semioficial iraniana Tasnim esta quarta-feira.
O Departamento de Estado dos Estados Unidos e a União Europeia, que servia de observadora e conseguira mediar o encontro, não confirmaram o fim das negociações em Doha, mantendo alguma esperança de que o fracasso não seja definitivo. Mas as posições não coincidentes entre os dois lados permitem avaliar que os resultados são negativos.
Mas, pouco depois de a agência ter noticiado o fracasso, alguns jornais iranianos adiantaram que o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Irão, Nasser Kanani, disse que as negociações em Doha ainda não haviam terminado e seriam retomadas esta quarta-feira ao início da noite. Os jornais iranianos falam de contra informação: a agência Tasnim estará ligada à Guarda Revolucionária – onde estão os elementos mais radicais do regime e que aparentemente prefere ter armas nucleares ao invés de um acordo com as potências mundiais.
Recorde-se que uma das imposições de Teerão era a de que os Estados Unidos retirassem a Guarda Revolucionária da lista de organizações terroristas, coisa que a Casa Branca se recusa a fazer.
O representante especial dos Estados Unidos, Rob Malley, e o principal negociador nuclear do Irão, Ali Bagheri Kani, falaram entre si por via de Enrique Mora, o representante da União Europeia que já havia estado nas negociações de Viena.
Segundo a Tasnim, o Irão não viu garantidos quaisquer benefícios económicos para avançar na discussão e duvida da vontade norte-americana em alcançar um entendimento. “Washington está a tentar fazer regressar o acordo para limitar o Irão e sem conquistas económicas para o nosso país”, afirmava um texto da agência. Possivelmente, isso quererá dizer que a Casa Branca não aceita – como já disse repetidamente no passado – levantar quaisquer das sanções impostas unilateralmente a partir de 2018 (data em que Donald Trum denunciou o acordo) sem que os iranianos demonstrem a sua ‘boa fé’.
O Irão e as potências mundiais concordaram em 2015 com o acordo nuclear, que viu Teerão limitar drasticamente o enriquecimento de urânio em troca do levantamento de sanções económicas. Em 2018, o então presidente dos EUA, Donald Trump, retirou-se unilateralmente do acordo, aumentando as tensões em todo o Oriente Médio.
As conversas em Viena sobre a retoma do acordo estão numa fase de pausa desde março. Desde o colapso do acordo, o Irão tem operado publicamente centrifugadoras avançadas e aumentou o armazenamento de urânio enriquecido.
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