O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva será oficialmente indicado pelo Partido dos Trabalhadores (PT), esta quinta-feira, para concorrer a 2 de outubro contra o presidente Jair Bolsonaro.
O esquerdista de 76 anos não participará da convenção do partido num hotel no centro de São Paulo, onde outros seis partidos de coligação também vão apoiar a sua sexta candidatura presidencial.
Em alternativa e contra o conselho dos assessores mais próximos, Lula decidiu seguir em campanha para Pernambuco, no nordeste do Brasil. “Ele disse: chega de conversa interna do partido, é hora de ir às ruas e conversar com os eleitores”, contou um assessor de Lula à “Reuters”.
Para atrair eleitores moderados, dececionados com o governo Bolsonaro, e suavizar a imagem de esquerda, Lula escolheu como vice-presidente o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin, um centrista respeitado pelos sectores empresariais.
Lula promete que vai aumentar o papel do Estado na economia e aumentar a assistência social, mantendo o livre mercado. Entre os principais conselheiros do antigo presidente está o jovem economista Gabriel Galipolo, ex-CEO do Banco Fator e sócio da Consultoria Galipolo.
Com uma vantagem nas sondagens de opinião, uma vitória de Lula nas presidenciais representaria um surpreendente regresso do ex-líder sindical. De recordar que Lula, que liderou o Brasil por dois mandatos de 2003 a 2010, passou 580 dias na prisão por condenações de corrupção que mais tarde foram anuladas.
Por sua vez, Bolsonaro, que segue em desvantagem nas sondagens, tem investido em questionar repetidamente o sistema de votação eletrónica do Brasil, alegando que é vulnerável a fraudes, o que levanta algumas questões sobre a forma como o presidente brasileiro vai lidar com os resultados em outubro, se sofrer uma derrota.
“Bolsonaro está a tentar semear a confusão e espalhar dúvidas sobre as urnas, mas no fundo o que ele não quer é que o povo trabalhador deste país vote”, disse Lula na quarta-feira.
De destacar também esta semana que o juiz Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF) brasileiro ordenou remoção de conteúdos online que associam Lula a criminosos no Brasil. “Há uma perceção clara de que as mentiras divulgadas tentam, de forma fraudulenta, induzir o eleitorado a acreditar que um dos candidatos e seu partido têm vínculos com o crime organizado”, considerou o juiz.
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