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Boris Johnson na hora de despedida: “mantive-me no cargo porque era o meu dever” (com áudio)

Boris Johnson quer manter-se no cargo de PM por mais uns meses enquanto o Partido Conservador escolhe um novo líder, mas arrisca-se a ser corrido do poder se uma moção de censura for aprovada no Parlamento.
7 Julho 2022, 11h47

Boris Johnson explicou hoje aos britânicos a sua decisão de demitir-se da liderança do Partido Conservador. A demissão chega depois de mais de 50 membros do seu Governo terem batido com a porta devido ao escândalo sexual que envolve o deputado conservador Chris Pincher.

Mas esta polémica foi apenas a gota de água: os problemas derivados do Brexit, com as questões envolvendo a Irlanda do norte à cabeça, ou o ‘partygate’, as festas realizadas pelo Governo durante o confinamento e que violaram as regras sanitárias, contribuíram para o desgaste do PM britânico.

“A razão pela qual lutei duramente nos últimos dias para continuar foi porque senti que era o meu dever, a minha obrigação para convosco”, afirmou hoje à porta da sua residência oficial, citado pela “Sky News”.

“Estou muito orgulhoso dos feitos deste Governo em concluir o Brexit, em manter as nossas relações com o continente… reclamar o poder para este país poder fazer as suas próprias leis no Parlamento”, acrescentou.

“Ultrapassar a pandemia, realizar a entrega mais rápida de vacinas na Europa, a saída mais rápida do confinamento e nos últimos meses: liderar o ocidente a fazer frente à agressão de Putin na Ucrânia”, destacou no seu anúncio ao país.

“É claro o desejo dos parlamentares do Partido Conservador de que deve haver um novo líder do partido e um novo primeiro-ministro”, afirmou, acrescentando que vai manter-se no cargo de PM “até um novo líder ser eleito”.

“Nos últimos dias, tentei convencer os meus colegas que seria excêntrico mudar de líder quanto estamos a trabalhar bem”, mas lamentou “não ter tido sucesso” nos seus argumentos.

Mais de 50 membros do Governo britânico bateram com a porta. Boris Johnson está a afundar-se lentamente, apesar de tentar manter-se à tona.

Um dos mais recentes a sair foi o novo ministro das Finanças. Nadhim Zahawi esteve no cargo menos de 24 horas. “Isto não é sustentável e só vai ficar pior: para si, para o Partido Conservador e, mais importantemente, o país. Deve fazer o correto e sair agora”, escreveu nas redes sociais.

Só hoje sete membros do Governo pediram a sua demissão: o secretário de Estado para a Irlanda do Norte, Brandon Lewis; o ministro para a Segurança, Damian Hinds; o ministro da Ciência, George Freeman; a ministro do Tesouro, Helen Whatley; o ministro das Pensões Guy Opperman; o ministro da Tecnologia, Chris Philp; e o ministro dos Tribunais, James Cartlidge.

A polémica começa quando foi revelado que o deputado conservador, Chris Pincher, e sub-líder da bancada parlamentar dos Tories, apalpou dois homens no Carlton Club, um clube associado a este partido.

Sob muita pressão, Boris Johnson demorou alguns dias para suspender Chris Pincher, que acabou por demitir-se mais tarde.

Mas várias questões ficaram no ar: teria o PM conhecimento do comportamento errático do deputado quando o nomeou vice-lider da bancada conservadora?

Inicialmente, Johnson disse que não. Mas a imprensa revelou que o PM tinha sido informado sobre a conduta inapropriada do deputado em 2019 relativa a outros casos. Boris Johnson tentou corrigir o tiro e veio a público esta semana dizer que tinha sido um “erro” e “algo errado” ter nomeado Chris Pincher para vice-presidente da bancada dos Tories.

 


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