Ninguém parece saber ao certo se é apenas um boato ou se é verdade que o governo polaco liderado por Mateusz Morawiecki está a preparar eleições antecipadas. Pelo sim pelo não, o líder da oposição, um ‘velho’ conhecido da Europa, Donald Tusk, anterior presidente do Conselho Europeu (e ex-primeiro-ministro), está a preparar-se para essa eventualidade.
Em conferência de imprensa citada pelos jornais polacos, Tusk, questionado sobre se acredita que haverá eleições antecipadas, respondeu que “ouvi falar nisso. Não me surpreende que os dirigentes do governo apresentem sintomas de pânico e o desejo de fugirem às responsabilidades”.
Mas Tusk, dirigente do partido Plataforma Cívica (conservador, democrata-cristão) coloca também a hipótese de a possibilidade de eleições antecipadas serem apenas uma manobra política “do PiS [partido de ultra-direita no poder] só para assustar as pessoas “. “Nos bastidores, até os parlamentares do PiS admitem que a situação financeira da Polónia não é boa. Segundo a oposição, é francamente dramática”, afirmou. De qualquer modo, “Eu provavelmente faria isso também. O fracasso deste governo em tempos tão exigentes é visível para todos”, afirmou.
Para além da questão dos refugiados, o governo polaco queixa-se de que os custos do serviço da dívida aumentarão em até 70% em relação aos planos prévios para 2022, que constam do Orçamento do Estado para este ano. Neste cenário, Tusk afirma que a oposição “junta vencerá as eleições”.
Desde o seu regresso à política, o ex-primeiro-ministro exortou publicamente a oposição a aderir a uma lista eleitoral conjunta, mas o convite não foi recebido com grande entusiasmo. “Sou paciente e não tenho motivos para entrar em pânico”, enfatizou Tusk.
E pediu que a guerra e a política internacional não desviasse o primeiro-ministro Morawiecki e o PiS das questões domésticas: a guerra “não pode invalidar os problemas das pessoas que vivem aqui”, sublinhou – para assegurar que existem fundos na União para ajudar os refugiados. “Mas o governo atrasou e atrasa a política ativa dentro da União”.
Donald Tusk “espera” que as autoridades do seu país deem um passo simbólico que permita à União usar um pretexto para desbloquear milhões do Fundo de Reconstrução para a Polónia. “Deem esse passo, porque os polacos precisam desse dinheiro”.
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