A Hungria não vai apoiar o novo pacote de sanções da União Europeia contra o Kremlin – que prevê um embargo às importações de petróleo russo -, na forma como foi apresentado, fez saber esta sexta-feira Viktor Orbán, segundo a “Reuters”.
A atual proposta da Comissão Europeia de proibição das importações de petróleo russo equivaleria, nas palavras do primeiro-ministro húngaro, a uma “bomba atómica” lançada sobre a economia húngara.
Contudo, o país está disposto a negociar uma proposta alternativa que vá ao encontro dos interesses húngaros.
Na quarta-feira, o bloco europeu propôs aquele que é, até agora, o pacote de sanções mais duro contra Moscovo, como parte da resposta concertada dos líderes europeus à invasão ordenada pelo Kremlin à Ucrânia.
A adoção da medida não é consensual entre os 27, dado que vários países energeticamente dependentes da Rússia manifestaram preocupação com o impacto do corte das importações de petróleo da Rússia, entre os quais a Hungria, que importa cerca de 65% do petróleo àquele país.
Em declarações à rádio estatal húngara, Orbán disse precisaria de cinco anos de enormes investimentos nas suas refinarias e oleodutos para poder transformar o seu sistema atual.
“Sabemos exactamente do que precisamos. Antes de mais precisamos de cinco anos para que todo este processo seja concluído. 1-1,5 anos não é suficiente para nada”, comentou o governante.
“Não quero confrontar a UE mas cooperar….mas isto só é possível se levarem em conta os nossos interesses”, disse Orbán, afirmando que aguarda nova proposta da Comissão.
Na mesma entrevista, Orbán disse que Budapeste não vai apoiar a colocação chefe da Igreja Ortodoxa Russa na lista negra da UE.
A União Europeia terá incluído o Patriarca Cirilo de Moscovo numa nova lista de sanções, uma vez que o Chefe da Igreja Ortodoxa Russa é um aliado de longa data do Kremlin que deu já a sua bênção à guerra na Ucrânia, de acordo com um documento preliminar ao qual o “The Guardian” teve acesso.
O Chefe da Igreja Ortodoxa Russa, que usou um sermão dominical para demonstrar o seu apoio à “operação especial de manutenção da paz” da Rússia poucos dias após a invasão da Ucrânia, deverá agora ser acrescentado à lista de sanções da UE, que já inclui mais de 1.000 oligarcas russos.
A ser confirmado, o patriarca poderá ser uma das 57 pessoas que serão proibidas de viajar para a UE, enfrentando ainda o congelamento de bens no âmbito de um novo pacote de medidas que será discutido pelos Estados-membros.
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