A Ucrânia poderá receber empréstimos, doações e verbas de oligarcas russos apreendidas para ajudar a custear a reconstrução do país após a invasão lançada pela Rússia, de acordo com um plano de reconstrução da União Europeia (UE) consultado pelo “The Guardian”.
No plano elaborado em Bruxelas, a Comissão Europeia (CE) afirma que o governo ucraniano terá de contrair empréstimos para pagar a reconstrução do país, devastado pelos conflitos após quase três meses de guerra. A outra parcela dos fundos necessários para reconstruir casas, escolas, estradas, ferrovias, aeroportos e pontes destruídas, serão atribuídas a Kiev através de subsídios não reembolsáveis dos Estados-membros da UE.
A UE também propõe avaliar a viabilidade do uso de bens apreendidos de russos e bielorrussos sancionados após uma proposta do líder do Conselho Europeu, Charles Michel, no início deste mês. “Estou absolutamente convencido de que isso é extremamente importante não apenas para congelar bens, mas também para permitir confiscá-los e disponibilizá-los para a reconstrução do país”, disse à agência de notícias ucraniana “Interfax”.
Os legisladores do Reino Unido e dos EUA propuseram que os bens apreendidos a oligarcas russos sejam utilizados para ajudar a reconstrução da Ucrânia e aliviar a situação dos refugiados do país.
As autoridades de Bruxelas também pediram que a UE tome empréstimos como um bloco nos mercados de capitais internacionais para financiar empréstimos para Kiev, de acordo com o relatório citado pelo “The Guardian”.
A confirmar-se, será apenas a segunda vez na história que a UE dará um empréstimo conjunto, e não como Estados-membros individuais, após financiar o plano de recuperação da pandemia de Covid-19 no valor de 750 mil milhões de euros — a chamada “bazuca” europeia.
A ideia é lançar um plano de ajuda e reconstrução da Ucrânia, que a CE deverá tornar público na quarta-feira, 18 de maio. Os números foram deixados em branco no documento consultado pelo “The Guardian”, aguardando novas discussões em Bruxelas.
O documento observa, no entanto, que as necessidades financeiras “devem ser substanciais” e que a reconstrução levará mais de uma década. Também estima que só os danos às infraestruturas físicas podem chegar a mais de 100 mil milhões de euros.
Para pagar a conta, a CE propõe uma mistura de doações e empréstimos em que os Estados-membros da UE e os países não pertencentes à UE poderão fazer contribuições através do programa de reconstrução do bloco.
A Ucrânia necessita de um “alívio financeiro significativo de curto prazo” para sustentar serviços básicos, fornecer ajuda humanitária e consertar infraestrutura essencial, afirma o documento da UE. Para responder a estas necessidades urgentes, a CE propõe empréstimos a taxas de juro baixas com prazos de reembolso a longo prazo.
O presidente dos EUA, Joe Biden, propôs um programa de ajuda de 33 mil milhões de dólares (31,4 mil milhões de euros) para a Ucrânia no mês passado, que inclui mais de 20 mil milhões de dólares (19 mil milhões de euros) em gastos militares.
A UE já forneceu 4,1 mil milhões de euros em empréstimos de emergência e ajuda humanitária desde o início da invasão da Rússia e concordou em financiar armas e outras assistências militares não letais no valor de 1,5 mil milhões de euros — a verba não inclui o dinheiro que os Estados-membros, de forma individual, doaram à Ucrânia.
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