As graves perdas russas desde que começou a guerra tem provocado crescentes críticas entre comentadores militares pró-Rússia, incluindo um grupo de veteranos russos que agora pede ao presidente russo Vladimir Putin para declarar guerra à Ucrânia e mobilizar forças adicionais.
A Assembleia de Oficiais de Toda a Rússia disse numa carta, citada pela “Business Insider”, que a “operação militar especial” da Rússia na Ucrânia falhou em alcançar os seus objetivos e pediu a Putin que reconheça que a invasão da Ucrânia não se trata mais de “desnazificar” o país, mas de lutar pela existência e lugar da Rússia na ordem mundial.
O grupo de veteranos pró-Rússia considera que a “operação militar especial” de Putin tem sido um “fracasso” e referiu que a Rússia deve preparar-se para uma “guerra a todo gás”. Pediram também que o Kremlin estendesse os termos do serviço militar padrão de um para dois anos, estabelecesse administrações de guerra nas repúblicas separatistas de Donetsk e Lukansk e instituísse a pena de morte para desertores russos.
A tentativa fracassada dos militares russos de cruzar o rio Siversky Donets no início de maio pode ser um dos eventos mais mortíferos da guerra com dezenas de veículos blindados perdidos e mais de 400 soldados russos estimados como mortos ou feridos. O Ministério da Defesa ucraniano compartilhou imagens onde mostra as consequências da luta, com tanques russos destruídos ou desativados espalhados pelo campo de batalha.
Além do grupo de veteranos Yuri Podolyaka, um comentador de guerra com 2,1 milhões de seguidores no Telegram, apontou num vídeo que evitava criticar os militares russos, mas que, após o fracasso da travessia do rio Siversky Donets, a sua paciência estava “esgotada”.
“Sim, eu entendo que é impossível não haver problemas na guerra, mas quando os mesmos problemas continuam por três meses, e nada parece mudar, então eu pessoalmente e de facto milhões de cidadãos da Federação Russa começamos a ter perguntas para esses líderes da operação militar”, afirmou Podolyaka.
Críticas semelhantes têm aparecido com mais frequência, explicou a ISW no seu relatório desta semana. “Mais russos que apoiam o Kremlin e a invasão russa da Ucrânia estão a começar a criticar abertamente o Kremlin”, informou a organização.
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