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Erdogan dá razão a Putin: cereais ucranianos não estão a chegar aos países pobres

O presidente da Turquia disse na Croácia, onde acaba uma visita de três dias aos Balcãs, que os cereais saídos da Ucrânia através do acordo quadripartido não estão a chegar aos países mais necessitados. O grosso tem ido para a União Europeia.
8 Setembro 2022, 18h08

O presidente Recep Erdogan disse esta quinta-feira que o seu homólogo russo, Vladimir Putin, tinha razão quando revelou que os cereais da Ucrânia que estão a sair do país sob os auspícios da ONU e da própria Turquia estão a chegar principalmente aos países ricos e não aos países pobres. Para Erdogan, que falava na Croácia sendo citado pelos jornais turcos, o acordo sobre os cereais está a sofrer distorções.

“O fato de os carregamentos de cereais estarem a ir para os países que implementam sanções contra Moscovo está a perturbar Putin. Também queremos que comecem os embarques de cereais da Rússia”, disse , junto do seu homólogo croata Zoran Milanovic.

O grupo de coordenação com sede em Istambul, que inclui os quatro signatários (Turquia, Rússia, Ucrânia e ONU), disse que apenas cerca de 30% da carga já saída da Ucrânia foi para países pobres. Recorde-se que, no dia anterior, quarta-feira, Putin disse que a Rússia e o mundo em desenvolvimento foram “enganados” pelo acordo e prometeu rever os seus termos para limitar os países que podem receber embarques.

“Se excluirmos a Turquia, país intermediário, quase todos os cereais exportados da Ucrânia serão enviados não para os países em desenvolvimento, mais pobres, mas para os países da União Europeia”, disse Putin. E especificou: apenas dois dos 87 navios, transportando 60 mil toneladas, foram para países pobres.

Erdogan confirmou na Croácia que debaterá o assunto com Putin à margem da cimeira da Organização de Cooperação de Xangai, que será realizada no Uzbequistão na próxima semana.

A Croácia marcou a última paragem de Erdogan numa viagem de três dias pelos Balcãs, que o levou no início desta semana à Bósnia-Herzegovina e depois à Sérvia. Com laços históricos e culturais enraizados, embora partilhem fronteiras comuns, o volume de comércio bilateral superou o nível pré-pandemia e atingiu 900 milhões de euros. Mas, segundo a equipa que acompanha Erdogan, citada pelos jornais turcos, a intenção é atingir uma balança comercial de dois mil milhões a curto prazo e de cinco mil a médio prazo.

A Turquia foi um dos primeiros países a reconhecer a independência da Croácia, em 1991, e Erdogan disse que o país, que entretanto aderiu à União Europeia, continua a ser um observador atento “de todos os desenvolvimentos que se desenrolam nos Balcãs e continua a fazer as contribuições necessárias” para o seu desenvolvimento económico e aumento da segurança.

Por seu turno, Milanovic recordou esse reconhecimento e disse que o seu país está totalmente disponível para aumentar as parcerias económicas e fomentar as trocas comerciais.


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