A partir de 1 de janeiro, o Governo grego começou a pagar às famílias um subsídio de dois mil euros por cada bebé nascido. A medida tem um custo anual estimado em 180 milhões de euros, equivalente a 0,1% do PIB do país, segundo o The Guardian.
A medida do Governo conservador de Kyriakos Mitsotakis está disponível tanto para cidadãos gregos, como para cidadãos da União Europeia como extra-comunitários.
Atualmente, a população da Grécia conta com 10,7 milhões de cidadãos, mas segundo as contas do Eurostat, em 2050 mais de 36% da população será idosa, uma perspetiva que traz graves implicações para a força de trabalho e um sistema de segurança social que já se encontra sob pressão. Em 1970, apenas 7% da população se encontrava nessa faixa etária.
Maria e Christos Pardalakis foram os pais do primeiro bebé grego nascido em 2020. Com o nascimento de um menino saudável, a família Pardalakis tornou-se elegível para este subsídio. “Foi um início de ano como nenhum outro, o melhor presente que a minha esposa me podia dar”, disse Christos Pardalakis ao ‘The Guardian’.
O pai da primeira criança a nascer na Grécia no novo ano acrescentou que “o benefício ajudará, não somente nós, mas muitas famílias”. Com a taxa de natalidade em declínio, o governo de Atenas decidiu criar um subsídio, cuja missão é aumentar a natalidade do país, que pode encolher cerca de um terço nas próximas três décadas.
“As pessoas podem pensar que esta é uma questão de orgulho nacional, mas, na verdade, é uma questão de preservação nacional”, assumiu Domna Michailidou, vice-ministra do Trabalho e Assuntos Sociais, que pressionou o governo para a aplicação do bónus e de outros benefícios para os pais.
“Como as altas taxas de produtividade estão associadas às populações jovens e não ao envelhecimento ativo, também é uma prioridade do crescimento económico. A imagem torna-se ainda mais sombria quando comparada com o difícil estado em que está o nosso sistema de pensões”, sublinhou a responsável da medida.
Ainda assim, a Grécia não é a única demografia europeia a enfrentar o problema da natalidade. Também a taxa de natalidade está em declínio em Espanha, Itália e Chipre. Em algumas zonas do interior de Portugal, por exemplo, têm sido entregues cheques-natalidade para promover o aumento da natalidade.
Durante a altura de crise na Grécia, o país perdeu perto de um quarto da sua produção económica e a taxa de natalidade caiu para níveis difíceis de repor. Com os cortes rigorosos na Grécia em troca de fundos internacionais de resgate, o país teve de cortar o orçamento para a saúde em mais de 40%, algo que se começa a notar agora com a falta de nascimentos.
“A grande queda no financiamento e o efeito que teve nos serviços médicos, especialmente nas ilhas e em regiões remotas das montanhas, criaram muita insegurança nas mulheres”, disse Stefanos Chandakas, ginecologista cuja ONG Hope Genesis se concentra em fornecer gratuitamente cuidados de saúde a mulheres grávidas.
“Os nados-mortos aumentaram porque muitas mulheres perderam testes pré-natais cruciais e muito decidiram adiar o nascimento dos filhos”, revelou o médico.
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