O banco BPI confirmou esta terça-feira à tarde no Parlamento que faz uma análise de risco aos pedidos de contração de crédito no âmbito das linhas de crédito anunciadas pelo Governo para apoiar a economia durante a crise da Covid-19, mas não detalhou a taxa de juro que está a cobrar.
Em audição na Comissão de Orçamento e Finanças (COF), Pedro Barreto, administrador do BPI com o pelouro da banca de empresas do BPI, respondeu afirmativamente quando foi questionado sobre se o banco BPI faz uma análise ao risco dos clientes antes de conceder crédito ao abrigo da linha de 6,2 mil milhões de euros anunciada pelo Governo.
“Sim, é verdade”, referiu o administrador do BPI. “Nesta linha, os bancos têm uma responsabilidade sobre 20% [do crédito], às quais não podem requerer nenhuma garantia”, explicou.
Ao abrigo desta linha de 6,2 mil milhões de euros, o BPI já tem aprovados créditos no valor de 1,5 mil milhões. No entanto, estas operações “ainda têm de e ser aprovadas pela garantia mútua e pelos clientes”, porque alguns dos clientes ainda não decidiram, explicou Pedro Barreto.
O portal informático para carregar os pedidos de crédito no âmbito da linha do Governo de 6,2 mil milhões ficou apenas disponível na sexta-feira, dia 17 de abril, dia em que foram carregadas entre “15 mil a 16 mil” operações. “O sistema parou”, revelou Pedro Barreto, e deveria estar operacional a partir das 13h00 de hoje.
O administrador do BPI rejeitou a ideia de que o banco estaria a dificultar o acesso ao crédito por causa da burocratização do processo. E explicou que o sistema de garantia mútua passou a pedir, na quinta-feira passada, nove documentos para o acesso ao crédito, quando antes só eram exigidos dois documentos.
Sobre a taxa de juro praticada na concessão de crédito, Pedro Barreto disse “a taxa de juro praticada ficou muito abaixo das taxas máximas e foram inclusivamente mais baixas do que as operações faz a seis anos”, embora não tenha dado mais detalhes.
Quanto à linha de crédito capitalizar 2018 – Covid-19, que foi a primeira anunciada pelo Governo para apoiar as empresas durante a crise do novo coronavírus e que tinha uma dotação de 400 milhões, está “esgotada”, referiu Pedro Barreto.
Foram as pequenas de pequena dimensão que mais recorreram a esta linha. “O número de PME é esmagadoramente muito superior ao das grandes empresas, porque o limite da linha é de dois milhões de euros, o que não responde às necessidades das grandes empresas. É a quase totalidade são micro e pequenas empresas”, salientou o administrador do BPI.
Pedro Barreto referiu também que, além das linhas de crédito anunciadas pelo Governo, o BPI tem linhas comerciais com um limite de crédito pré-definidos só na banca de empresas 4,6 mil milhões de euros e que só estão utilizadas em 47%.
Tagus Park – Edifício Tecnologia 4.1
Avenida Professor Doutor Cavaco Silva, nº 71 a 74
2740-122 – Porto Salvo, Portugal
online@medianove.com