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BPI faz análise de risco para dar financiamento no âmbito das linhas de crédito do Governo

Em audição no Parlamento, Pedro Barreto, administrador do BPI, não detalhou as taxas de juro que o banco está a praticar na concessão de crédito, mas revelou que “a taxa de juro praticada ficou muito abaixo das taxas máximas e foram inclusivamente mais baixas do que as operações faz a seis anos”.
Rafael Marchante/Reuters
21 Abril 2020, 15h06

O banco BPI confirmou esta terça-feira à tarde no Parlamento que faz uma análise de risco aos pedidos de contração de crédito no âmbito das linhas de crédito anunciadas pelo Governo para apoiar a economia durante a crise da Covid-19, mas não detalhou a taxa de juro que está a cobrar.

Em audição na Comissão de Orçamento e Finanças (COF), Pedro Barreto, administrador do BPI com o pelouro da banca de empresas do BPI, respondeu afirmativamente quando foi questionado sobre se o banco BPI faz uma análise ao risco dos clientes antes de conceder crédito ao abrigo da linha de 6,2 mil milhões de euros anunciada pelo Governo.

“Sim, é verdade”, referiu o administrador do BPI. “Nesta linha, os bancos têm uma responsabilidade sobre 20% [do crédito], às quais não podem requerer nenhuma garantia”, explicou.

Ao abrigo desta linha de 6,2 mil milhões de euros, o BPI já tem aprovados créditos no valor de 1,5 mil milhões. No entanto, estas operações “ainda têm de e ser aprovadas pela garantia mútua e pelos clientes”, porque alguns dos clientes ainda não decidiram, explicou Pedro Barreto.

O portal informático para carregar os pedidos de crédito no âmbito da linha do Governo de 6,2 mil milhões ficou apenas disponível na sexta-feira, dia 17 de abril, dia em que foram carregadas entre “15 mil a 16 mil” operações. “O sistema parou”, revelou Pedro Barreto, e deveria estar operacional a partir das 13h00 de hoje.

O administrador do BPI rejeitou a ideia de que o banco estaria a dificultar o acesso ao crédito por causa da burocratização do processo. E explicou que o sistema de garantia mútua passou a pedir, na quinta-feira passada, nove documentos para o acesso ao crédito, quando antes só eram exigidos dois documentos.

Sobre a taxa de juro praticada na concessão de crédito, Pedro Barreto disse “a taxa de juro praticada ficou muito abaixo das taxas máximas e foram inclusivamente mais baixas do que as operações faz a seis anos”, embora não tenha dado mais detalhes.

Quanto à linha de crédito capitalizar 2018 – Covid-19, que foi a primeira anunciada pelo Governo para apoiar as empresas durante a crise do novo coronavírus e que tinha uma dotação de 400 milhões, está “esgotada”, referiu Pedro Barreto.

Foram as pequenas de pequena dimensão que mais recorreram a esta linha. “O número de PME é esmagadoramente muito superior ao das grandes empresas, porque o limite da linha é de dois milhões de euros, o que não responde às necessidades das grandes empresas. É a quase totalidade são micro e pequenas empresas”, salientou o administrador do BPI.

Pedro Barreto referiu também que, além das linhas de crédito anunciadas pelo Governo, o BPI tem linhas comerciais com um limite de crédito pré-definidos só na banca de empresas 4,6 mil milhões de euros e que só estão utilizadas em 47%.


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