[weglot_switcher]

Como manter a fortuna de biliões numa empresa familiar?

Este é o dilema que se coloca às dinastias de familiares da Coreia do Sul, país onde o imposto de sucessão é um dos mais elevados do mundo.
10 Janeiro 2018, 15h26

O barão do café sul-coreano, Kim Jae-myeong é aos 95 anos de idade presidente honorário do grupo Dongsuh, com uma fortuna avaliada em 2 mil milhões de dólares, segundo o Bloomberg Billionaires Index.

Kim Jae-myeong nunca figurou em nenhum ranking internacional e deixou a administração há mais de duas décadas, mas o grupo que fundou continua a ser firmemente controlado pela família, que enfrenta agora o dilema de como transmitir a riqueza às gerações seguintes sem fugir aos impostos.

A história contada pela Bloomberg é comum na Coreia do Sul, um país que em pouco mais de meio século se tornou uma potência mundial, com uma economia assente em empresas familiares. Esses grupos, que vão, por exemplo, do gigante Samsung Electronics Co. a nomes mais domésticos como o Dongsuh, estão agora sob escrutínio crescente pelas práticas que têm permitido manter as famílias no controlo do negócio.

O imposto de sucessão da Coreia do Sul atinge os 50%, sendo dos mais elevados do mundo, podendo a taxa ir aos 65%, no caso do falecido ser o maior acionista da empresa. Isto significa que a transferência da empresa, tal como é num determinado momento, para a geração seguinte corre o risco de falhar por se desmembrar a riqueza ou por se perder o controlo acionista.

Para contornar a dura lei, as dinastias milionárias da Coreia do Sul desenvolveram circuitos de transferência de dinheiro, direcionando, por exemplo, negócios lucrativos de empresas familiares para empresas afiliadas controladas por herdeiros. Porém, após uma série de escândalos de corrupção, a empresa familiar está a tornar-se algo impopular. Enquanto as famílias lutam para preservar a riqueza acumulada ao longo de décadas, o governo sul coreano está a preparar legislação no sentido de fechar lacunas legislativas, potencialmente incentivadoras da fuga de capitais.

 


Copyright © Jornal Económico. Todos os direitos reservados.