O Governo acaba de assinar um protocolo cultural com o Novo Banco, com vista a expôr ao público as coleções de arte do Novo Banco (aglutinadas na recém nascida NB Cultura), e vai aplicar a política da descentralização às coleções de arte do ex-BES: pintura, fotografia, livros e numismática.
Isto é, as várias coleções do banco vão ficar depositadas em vários museus espalhados pelo país.
O Museu Nacional dos Coches é o primeiro a receber um destes depósitos de longa duração – a tela a óleo Entrada Solene, em Lisboa, do Núncio Apostólico Monsenhor Giorgio Cornaro, considerada uma das mais importantes criações artísticas do núcleo de 97 obras de pintura portuguesa e europeia do Novo Banco.
No discurso de encerramento do primeiro protocolo, assinado esta segunda-feira entre o Novo Banco e a Direção Geral do Património Cultural, no Museu dos Coches, o primeiro-ministro anunciou que a coleção de fotografia (um acervo de mil peças) do Novo Banco vai ficar exposto num museu que será fora de Lisboa e do Porto.
Da marca Novo Banco Cultura fazem parte coleções de fotografia contemporânea. No total, existem mais de mil obras de 280 artistas de 38 nacionalidades, incluindo artistas portugueses.
À margem da cerimónia, em que estava presente o presidente da Câmara de Coimbra, comentava-se que Coimbra seria a cidade destino do acervo da coleção de fotografia do BES que hoje está no Novo Banco.
A criação formal da marca NB Cultura, traduz-se num “projeto que reflete o compromisso do Novo Banco e do Estado, através do Ministério da Cultura, de preservar, promover e partilhar com a sociedade portuguesa o seu relevante património cultural e artístico, através de parcerias com entidades públicas e privadas, como museus e universidades, de âmbito nacional e regional”, explica o banco.
“A assinatura deste memorando é simbólica”, começou por dizer António Costa que explicou ser simbólica porque se celebra num museu que é em si mesmo “o ponto de encontro da história”. António Costa referia-se ao facto de ser um museu que expõe veículos hipomóveis datados desde o século XVI, instalado num museu moderno do do arquiteto Paulo Mendes da Rocha.
António Costa salientou ainda que este protocolo assinado pelo Novo Banco com o Estado português é a demonstração que o Lone Star, que comprou o Novo Banco em outubro passado, quer manter um compromisso com Portugal e com os portugueses. “Está cedência não fazia parte do acordo de venda ao Lone Star, e por isso a realização deste protocolo é a demonstração que a Lone Star tem um compromisso com o país que está hoje a ser cumprido”.
António Costa disse ainda que o compromisso ia muito para além do depósito da pintura a óleo do séc. XVIII, “Entrada Solene, em Lisboa, do Núncio Aspotólico Monsenhor Giorgio Cornaro”, que a partir de hoje ficará exposta em permanência no Museu Nacional dos Coches, através de um contrato de depósito. “Outros quadros irão para outros museus, a biblioteca humanista vai ficar depositada na Faculdade de Letras e a coleção BES Photo vai ficar numa cidade portuguesa, que não será nem Lisboa, nem o Porto”, disse o primeiro-ministro que realçou que a política de descentralização, que defende, também se aplica à arte. “É preciso valorizar os diversos espaços culturais do país”, disse Costa que vê nessa estratégia uma forma de valorizar os bens culturais do país e “tornar o país mais coeso”.
António Costa terminou fazendo um inventário das iniciativas do Ministério da Cultura: a compra dos quadros do Miró, a compra de seis obras de Vieira da Silva que ficarão expostas na Fundação Arpad Zenes e o protocolo com o Novo Banco para a valorização pública dos bens culturais, isto é, para usufruto de todos os portugueses”.
Esta segunda-feira foi assim assinado um protocolo entre a administração do Novo Banco e o ministro da Cultura, Luís Filipe Castro Mendes, que irá permitir, no imediato, que o Museu Nacional dos Coches, apresente aos visitantes a tela a óleo Entrada Solene, em Lisboa, do Núncio Apostólico Monsenhor Giorgio Cornaro. Esta colaboração implicou a criação da marca NB Cultura.
A cerimónia que celebrou o depósito daquela que é considerada a obra mas importante do núcleo de pintura do Novo Banco, foi ainda precedida pelos discursos do CEO do banco, António Ramalho; do discurso do Chairman Byron Haynes e do embaixador Robert Sherman (foi embaixador dos EUA em Portugal até janeiro do ano passado) e está agora no Conselho Geral e de Supervisão do Novo Banco, ficando com a responsabilidade da NB Cultura. Robert Sherman fez o discurso mais emocionado da tarde, ao começar por dizer que tem “Portugal na alma e os portugueses no coração”. “Art is Truth”, disse citando o presidente Kennedy.
A marca Novo Banco Cultura integra quatro coleções distintas do antigo BES: pintura, fotografia, livros e numismática.
A coleção de pintura do Novo Banco inclui obras dos séculos XVI a XX. De Os Financeiros, atribuída a Quentin Metsys, no século XVI, A Torre de Babel, de meados do século XVII da Escola Flamenga. Dos séculos XIX e XX, destacam-se obras de artistas portugueses como Silva Porto, José Malhoa, Artur Loureiro, Júlio Sousa Pinto, Eduardo Malta, Júlio Pomar, Júlio Resende, Eduardo Viana, Maria Helena Vieira da Silva, Manuel d’Assumpção, Carlos Botelho, Manuel Cargaleiro, Mário Dionísio, Nikias Skapinakis, Ângelo de Sousa, Jorge Pinheiro, Graça Morais e Pedro Croft. O núcleo conta ainda com um conjunto de quatro Portulanos, mapas antigos dos portos conhecidos.
A terceira coleção diz respeito à biblioteca de Estudos Humanísticos, a chamada Biblioteca de Estudos Humanísticos de Pina Martins, já exposta na Fundação Calouste Gulbenkian, e que se encontra depositada na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Nela constam mais de 1000 livros, entre os quais títulos impressos no século XVI como Utopia, de Thomas More, com texto introdutório de Guillaume Budé, e outras obras raras como uma edição de Os Lusíadas, comentados por Manoel Correa, de 1613 e e edições iniciais de autores como Dante Alighieri, Francesco Petrarca, Erasmo de Roterdão e Thomas More, Damião de Góis, Luís António de Verney e Bernardim Ribeiro encontram-se neste acervo, comprado pelo antigo BES, em 2008, à família do professor e investigador José de Pina Martins (1920-2010).
A quarta coleção do Novo Banco Cultura é de numismática, adquirida em 2007. Esta coleção compreende 16.575 exemplares, acompanha a emissão de moeda ao longo de 2000 anos, desde a Antiguidade, antes da fundação da nacionalidade, assim como de toda a História de Portugal, incluindo emissões de antigas colónias, como Brasil, Índia, Moçambique e Angola.
Segundo o Novo Banco:
A marca NB Cultura, reúne sob um único conceito toda a coleção, com o objetivo último de preservar e divulgar o seu vasto património, assente em quatro pilares:
– Coleção de Pintura – Conjunto de mais de 90 obras relevantes de pintura portuguesa e europeia de várias épocas;
– Coleção de Fotografia Contemporânea – Entre as melhores coleções empresariais do mundo;
– Biblioteca de Estudos Humanísticos – Das mais valiosas bibliotecas particulares espacializadas em estudos humanísticos;
– Coleção de Numismática – Uma das maiores e mais completas coleções de numismática portuguesa;
No que respeita à coleção de Pintura do Novo Banco será concretizado um programa de depósito descentralizado da coleção de pintura, colocando à fruição pública 97 obras de relevante valor artístico, em vários museus espalhados pelo território nacional. Destacam-se:
– Obras dos séculos XVI e XVII (Os Financeiros – pintura de meados do século XVI atribuída a Quentin Metsys; A Torre de Babel – pintura de meados do século XVII da Escola Flamenga; ou a Entrada em Lisboa do Núncio Apostólico Georgio Cornaro – pintura de finais do século XVII).
– Pintura estrangeira de finais do século XVIII, onde se destacam as paisagens de Jean Baptiste Pillement, nomeadamente uma interessante representação de um dos momentos que seguiram o naufrágio do navio de guerra San Pedro de Alcântara, nas falésias da Papoa, em Peniche.
– E obras os séculos XIX e XX: destacando-se no núcleo de pintura portuguesa, obras de mais de trinta autores entre os quais: António Silva Porto, José Malhoa, Artur Loureiro, Júlio Sousa Pinto, Eduardo Malta, Júlio Pomar, Júlio Resende, Eduardo Viana, Maria Helena Vieira da Silva, Manuel d’Assumpção, Carlos Botelho, Manuel Cargaleiro, Mário Dionísio, Nikias Skapinakis, Ângelo de Sousa, Jorge Pinheiro, Graça Morais, Pedro Croft, entre outros.
– O núcleo conta ainda com um conjunto de 4 relevantes Portulanos – Mapas antigos dos portos conhecidos.
Tagus Park – Edifício Tecnologia 4.1
Avenida Professor Doutor Cavaco Silva, nº 71 a 74
2740-122 – Porto Salvo, Portugal
online@medianove.com