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Eleições em Itália: Liga do Norte promete deportações de imigrantes em massa

A questão da imigração continua a ser central nas eleições italianas. Todas as forças políticas querem passar a ideia de que têm como resolver o problema.
19 Fevereiro 2018, 12h51

As questões ligadas à imigração continuam a estar no centro de debate político na campanha para as eleições legislativas italianas, a ocorrer em 4 de março. Desta vez, a Liga do Norte, de extrema-direita, prometeu introduzir mecanismos de deportação em massa de africanos que tentem entrar ou estejam ilegalmente em Itália.

O partido liderado por Matteo Salvini leva assim mais longe a questão da imigração, assumindo como promessa eleitoral uma solução pela força, que passaria também por forçar os tribunais a assumir essa posição.

O bloqueio à imigração é, apesar de tudo, praticamente transversal à sociedade italiana: ainda há pouco, o governo do Partido Democrático, de centro-esquerda, tomou medidas para reduzir o número de chegadas de imigrantes, incluindo acordos com milícias e tribos que controlam o território da Líbia, que foram liminarmente condenados por grupos de direitos humanos.

Mas a Liga do Norte, prometeu ir mais longe, dizendo que, se for eleito, lançará um programa para forçar cerca de 400 mil imigrantes da regressar aos seus países de origem. Analistas citados pelo jornal “The Guardian” disseram que duvidam que o plano seja sequer realizável e que a perspetiva de deportações em massa na Europa provocaria um alvoroço em Bruxelas.

A Liga promete engendrar uma política de incentivos, incluindo contribuições financeiras, para ajudar os países a reter imigrantes que queiram passar para Itália. “Cruzar o Mediterrâneo não deve ser uma maneira de obter proteção automaticamente”, refere um membro do partido.

O governo atual já procurou acelerar a expulsão de imigrantes, mas o processo é caro, burocrático e complicado pela falta de vontade de outros em colaborar na questão. Marco Minniti, ministro do Interior, disse, citado pelo mesmo jornal, que quer aumentar as expulsões, mas a Itália apenas deportou cerca de 6.500 pessoas no ano passado, contra 5.200 no ano anterior.

Silvio Berlusconi não quer ficar atrás nesta espécie de corrida: o ex-primeiro-ministro, líder da Forza Italia, que lidera as sondagens, também já disse que está interessado em remover os imigrantes do território italiano. E vai mesmo mais longe: serão 600 mil a serem convidados a regressar aos seus países de origem.


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