A compra do Twitter por Elon Musk, confirmada esta terça-feira a meio da sessão após meses de vai-não-vai, poderá trazer dores de cabeça para os bancos e instituições financeiras envolvidas no financiamento do negócio de 44 mil milhões de dólares (cerca de 44,6 mil milhões de euros).
Elon Musk já tinha dado sinais de que estaria disposto a vender uma parte (ou o todo) da sua participação na Tesla para garantir a maior fatia da soma que necessita. Mas mesmo com a liquidez que virá do fabricante automóvel e com o financiamento já acordado de outros grandes investidores, pelo menos 12,5 mil milhões de dólares virão de alguns dos maiores bancos mundiais.
A lista de bancos envolvidos inclui o Morgan Stanley, o Bank of America Corp. e o Barclays Plc, entre outras instituições como o Societé Genereale SA, o BNP Paribas SA ou o Mitsubishi UFJ Financial Group Inc.
Musk avança para a compra do Twitter e ações disparam 22%
Os alarmes para a banca soaram esta quarta-feira, menos de 24 horas desde a confirmação da venda – que já tinha recebido luz verde dos acionistas no mês passado. Em causa está a dificuldade que os bancos terão em vender dívida do Twitter, como confirmou uma dezena de banqueiros e analistas à agência Reuters.
O pacote de dívida do Twitter ascende aos 12,5 mil milhões de dólares. A maioria deste valor (6,5 mil milhões) vem de financiamento bancário e o restante em emissões de títulos de dívida.
A Apollo Global Management tinha acordado financiar o negócio em mil milhões de dólares, mas o acordo foi rasgado esta quarta-feira, avança a Reuters.
Como acontece na maioria das grandes aquisições, a estratégia tipicamente adotada pela banca passa por tentar desfazer-se ao máximo da dívida do ativo que financia. Mas o interesse dos investidores para este tipo de ativos tem arrefecido em virtude da escalada das taxas de juro pelos principais bancos centrais e por uma volatilidade generalizada nos mercados, apesar de o tecnológico Nasdaq continuar a animar Wall Street.
Não ajuda, contudo, que as nuvens de uma possível recessão se comecem a adensar no horizonte.
Essencialmente, os bancos envolvidos na transação estão “entre a espada e a parede”, como ilustra um analista citado pela mesma agência. “Não têm escolha senão financiar o negócio”, diz, mesmo que as perdas cheguem às centenas de milhões de dólares, um cenário que, à luz de exemplos recentes, se torna bem possível.
Estes receios surgem depois da tentativa falhada de vários bancos de vender 3,9 mil milhões de dívida usada para financiar a compra da empresa de telecomunicações Lumen Technologies pela Apollo Global Management. Antes disso, o resgate da empresa de software Citrix Systems pela banca deixou um buraco de cerca de 700 milhões.
No segundo trimestre deste ano, vários bancos norte-americanos começaram a sentir efeitos nefastos associados à exposição de certos ativos, como as alavancagens, à medida que as projeções de fusões e aquisições (M&A) se tornam mais contidas.
Até palavra em contrário (não seria inédito), o negócio de Musk para comprar o Twitter poderá ficar finalizado dentro de poucos dias a semanas, enquanto que os bancos se preparam para apresentar ganhos do terceiro trimestre já a partir da próxima semana.
Recorde-se que Musk expressou inicialmente interesse público em comprar o Twitter em abril deste ano. Depois de recuar na palavra – ação que prejudicou o valor da empresa na bolsa norte-americana – o caso deu entrada nos tribunais. A primeira audiência estava agendada para 17 de outubro, mas até lá o negócio pode ficar fechado.
Notícia atualizada às 22h19 dando nota de que a Apollo Global Management recuou na decisão de financiar o negócio
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