Os protestos contra a deposição do ex-presidente peruano Pedro Castillo, de que resultaram quase duas dezenas de mortos em dezembro passado, regressaram às ruas de algumas cidades do Peru, após uma pausa de duas semanas em que a crise política continuou ativa.
O primeiro-ministro do Peru, Alberto Otarola, disse que a situação geral é “normal”, embora diversos bloqueios de estradas tenham sido levantados e novas manifestações estejam na calha. Otarola disse que as pessoas têm “o direito” de protestar, mas pediu manifestações pacíficas. Mas, para impedir a concentração de manifestantes, o governo decretou a suspensão do funcionamento de várias linhas ferroviárias.
A comunicação social peruana avança que os representantes de grupos civis e de sindicatos de 10 regiões historicamente de esquerda no sul do Peru anunciaram o regresso dos protestos, exigindo a renúncia da atual presidente Dina Boluarte, a demissão do Congresso, mudanças na constituição e a libertação de Pedro Castillo. E, obviamente, a convocação de eleições antecipadas.
Castillo, que esteve no poder quase 17 meses, tentou dissolver ilegalmente o Congresso e reorganizar o poder judiciário. Boluarte, então vice-presidente, assumiu o poder e propôs a antecipação das eleições gerais, mas num prazo (talvez para o ano) que não agradou aos apoiantes do antigo presidente.
Castillo nunca teve uma passagem pela presidência isenta das mais diversas peripécias. Teve de convocar uma sucessão de primeiros-ministros cuja escolha acabou sempre por revelar-se desastrosa e a sua posição política – desde o início pouco sólida – não foi possível ao longo dos 17 meses no poder.
Na frente económica, as coisas também não resultaram. A intenção era promover as exportações, mas a crise mundial que se instalou e o aumento da inflação não deu qualquer hipótese aos sucessivos governo de salvarem uma economia que há muito dava mostras de grande fragilidade.
A disseminação da crise económica por todo o sub-continente da América do Sul impediu, por outro lado, que as manifestações de apoio vindas de outros países administrados por governos de esquerda tivessem passado das intenções à prática, o que acabou por gerar um movimento recessivo de que o Peru se mostrou incapaz de escapar.
Entretanto, esta semana, mais de dois mil turistas foram evacuados da cidadela inca de Machu Picchu, segundo adiantaram as autoridades nacionais.
Tagus Park – Edifício Tecnologia 4.1
Avenida Professor Doutor Cavaco Silva, nº 71 a 74
2740-122 – Porto Salvo, Portugal
online@medianove.com