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Pressão para subir salários pode cortar lucros do STOXX 600 em 10%, avisa Goldman Sachs

O banco de investimento vê na dinâmica salarial o principal risco aos resultados das bolsas europeias em 2023, sendo que nos sectores onde o custo do trabalho é mais relevante e as margens mais reduzidas o impacto pode mesmo chegar a 25%.
20 Fevereiro 2023, 17h45

A pressão para subir salários pode afetar os lucros das empresas, avisa a Goldman Sachs, que vê na rigidez do mercado laboral uma das principais ameaças aos resultados corporativos deste ano.

O banco norte-americano de investimento alerta para dois efeitos que têm puxado a negociação salarial para cima, a inflação e a rigidez do mercado laboral, e que podem significar margens bastante mais baixas para as cotadas nas bolsas globais. Em média, a redução no STOXX 600, o índice pan-europeu, pode ser de 10%.

A pressão será mais evidente em sectores com elevados custos de mão-de-obra e margens reduzidas, como a construção, turismo ou o sector automóvel, por oposição a ramos com uma elevada estrutura de custos, mas também com margens consideráveis, como a saúde. Para estas áreas de atividade, um aumento de 5% nos salários dos trabalhadores pode mesmo levar a um corte de 25% nas earnings, avisa o banco.

Ainda assim, estes títulos têm registado performances acima da média, sobretudo na Europa, desde o início do ano. A tendência não se deverá manter, projeta a Goldman Sachs, com as projeções de lucros para este segmento das bolsas ocidentais a ser alvo de cortes sucessivos no último ano, ao passo que outros títulos beneficiarão de condições mais vantajosas (subida dos juros no caso das financeiras ou escassez de recursos no caso energético).

Para 2023, o banco norte-americano prevê um crescimento de 4,5% nos salários da zona euro. Num ambiente de inflação elevada, será difícil às empresas continuarem a passar custos para o preço final, continua a análise, levando a um esmagamento maior das margens.


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