Especial 2018: A “geringonça” vai ser abalada por novos conflitos e tensões?

Que o atual Governo do PS vai cumprir a legislatura até ao fim, parece que já não restam dúvidas (e eram muitas, quando tomou posse a 26 de novembro de 2015).

Cristina Bernardo

No entanto, à medida que se aproxima o processo de negociação do Orçamento do Estado para 2019 e também as duas eleições (europeias e legislativas) agendadas para esse mesmo ano, os conflitos e tensões (já existentes, ainda que em modo de baixa intensidade) entre o PS e os parceiros mais à esquerda (PCP, PEV e BE) deverão intensificar-se ao longo de 2018.

Desde as discordâncias de fundo quanto à renegociação da dívida, cumprimento das regras do euro ou redução do défice, até ao investimento nos serviços públicos (com especial incidência em transportes e saúde), reversão de privatizações (destaque para os CTT), extinção de parcerias público-privadas (está em curso uma batalha ideológica envolvendo a preparação da nova lei de bases da saúde), aumento dos salários e pensões, reforma da floresta, legislação laboral, rendas excessivas do setor da energia, entre outras. Há imensos focos de conflito e tensão.

E entretanto poderão surgir novos focos, na medida em que tanto o PCP como o BE vão marcar o seu terreno político e delimitar cada vez mais a sua autonomia em relação ao Governo do PS. Sobretudo em torno do Orçamento do Estado para 2019, o último da legislatura em curso e muito provavelmente um dos principais temas da campanha para as subsequentes eleições europeias e legislativas).

Objetivo primordial? Evitar a formação de uma maioria absoluta do PS em 2019. Maior risco que enfrentam? Os conflitos escalarem até um ponto de não retorno, ou seja, de incompatibilização entre os partidos, atirando o PS para um entendimento mais ao centro-direita (com PSD ou CDS-PP), por mais improvável que esse cenário pareça ser neste momento.

Relacionadas

Especial 2018: Haverá mudanças de liderança nas grandes empresas?

O novo ano começa com a possibilidade de mudanças de liderança em várias grandes empresas cotadas nacionais. Destacamos três: a EDP, o Novo Banco e os CTT.

Especial 2018: O sistema financeiro nacional vai finalmente estabilizar?

Após vários anos de turbulência, o sistema bancário português deverá prosseguir o processo de normalização que teve lugar em 2017.

Especial 2018: A “geringonça” vai ser abalada por novos conflitos e tensões?

Que o atual Governo do PS vai cumprir a legislatura até ao fim, parece que já não restam dúvidas (e eram muitas, quando tomou posse a 26 de novembro de 2015).

Especial 2018: Brilho de 2017 continua depois das 12 badaladas?

O índice nacional vai prolongar os ganhos no Ano Novo, segundo os analistas. No entanto, a desaceleração da economia pode ser um entrave.
Recomendadas

PremiumPersistem dúvidas sobre o aumento salarial dos funcionários públicos

Centeno reiterou que só há 50 milhões de euros para os aumentos salariais. PCP remete para negociação com sindicatos, BE vai insistir na especialidade.

Bloco de Esquerda quer acordo escrito com o PS para dar mais clareza às propostas

“Tem de ter como base compromissos mais vastos, compromissos com o país, como recuperar as pensões ou baixar o número de alunos por turma ou ter mais manuais gratuitos”, afirma a coordenadora do BE, Catarina Martins, numa entrevista conjunta ao jornal “Público” e à “Rádio Renascença”.

“Este orçamento aposta nas eleições”, critica Rui Rio

Rio escusou-se a revelar se o PSD votará contra este orçamento na votação na Assembleia da República, apontando que essa será uma decisão a ser tomada pelo partido.
Comentários