Bolsonaro seria um “desastre” como presidente, diz a ‘The Economist’

Em reportagem de capa, a revista compara o candidato do PSL a Trump, nos Estados Unidos, e a Rodrigo Duterte, nas Filipinas, e diz que sua admiração por ditadores é “preocupante”.

A revista britânica ‘The Economist’ considera que uma possível eleição de Jair Bolsonaro (Partido Social Liberal) colocaria a democracia do Brasil e da América Latina em risco. Segundo a publicação, o candidato seria um “desastre” como presidente.

“Bolsonaro é o último de uma onda de populistas, que vai de Donald Trump nos Estados Unidos, a Rodrigo Duterte nas Filipinas e a uma coligação de Matteo Salvini na Itália. A sua adesão a esse clube é particularmente, desagradável”, compara a revista, desde sempre liberal.

Em reportagem de capa na edição desta semana, a revista afirma que o Brasil enfrenta dias difíceis, “com uma economia desastrosa, finanças públicas sob pressão e uma política completamente podre”.

Traçando a trajetória dos discursos polémicos do ex-deputado, a publicação afirma que Bolsonaro mostra-se como a salvação para uma parcela de brasileiros que não querem mais “políticos corruptos e traficantes de drogas nos comandas do país”.

A sua estratégia, continua a reportagem, é misturar o conservadorismo da igreja evangélica com o liberalismo económico, numa amálgama que os liberais tradicionais têm considerado como a pior fase do capitalismo. A escolha de Paulo Guedes como principal conselheiro económico, diz a revista, é uma das ações do candidato para encantar os defensores do livre mercado.

A The Economist também destaca o episódio de esfaqueamento do ex-militar, que “só o tornou mais popular e protegeu-o de um exame mais minucioso pela comunicação social e pelos seus opositores”.

A revista destaca a “preocupante admiração” de Bolsonaro por regimes ditatoriais. “A resposta do Sr. Bolsonaro ao crime é, na verdade, matar mais criminosos – embora, em 2016, a polícia tenha morto mais de 4.000 pessoas”, afirma a reportagem.

Ainda segundo a The Economist, “a América Latina conhece todos os tipos de homens fortes, a maioria deles terríveis”. Relembra a situação na Venezuela e na Nicarágua e afirma que “a democracia no Brasil ainda é jovem e enfrenta um autoritarismo preocupante”.

Bolsonaro, no entanto, não é o homem que irá avançar com as reformas necessárias, diz a revista: “os brasileiros devem perceber que a tarefa de sarar a democracia e reformar a economia não será fácil nem rápida. Algum progresso foi feito, mas muito mais reformas ainda são necessárias”.

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